Família do padre Joaquim cobra do Estado medidas para diminuir violência
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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Benedito Teles<br>Equipe da Folha 
Ibaiti - Os familiares do padre Joaquim Raimundo Bras, assassinado na última segunda-feira em Matinhos, no Litoral do Estado, fizeram ontem um apelo para que as autoridades tomem medidas concretas para diminuir a violência. O corpo do religioso foi enterrado ontem ao meio-dia no Cemitério Municipal de Ibaiti (92 quilômetros ao sul de Jacarezinho) em meio a aplausos e comoção popular.
O cortejo, com cerca de mil pessoas, saiu da Igreja Matriz, por volta das 11h50 até o cemitério. Membros da igreja estimam que pelo menos seis mil pessoas passaram pelo velório para prestarem a última homenagem ao padre. Segundo os religiosos, a fila de fiéis para ver o corpo do padre foi mantida durante toda a noite.
A vigília, em meio a orações e cânticos religiosos, foi realizada por populares e grupos católicos. O corpo do padre foi sepultado em uma gaveta no jazigo da família Bras. As pessoas acompanharam o sepultamento emocionadas e abatidas. No cemitério foram realizadas orações e despedidas. Depois do enterro, familiares do padre agradeceram as manifestações de solidariedade nos municípios de Matinhos e Ibaiti.
Padre Joaquim foi assassinado na noite de segunda-feira, em Matinhos, durante uma tentativa de assalto à casa paroquial. A polícia localizou o principal suspeito do crime na terça-feira. O estudante Cleverson Rosa Amorim, 22 anos, confessou a autoria do crime e denunciou Sandro Ramos, 23 anos, como co-autor. Os dois foram indiciados pelo crime.
A polícia informou que Amorim, preso em flagrante, seria transferido para Curitiba e Ramos responderia o crime em liberdade. O suspeito Denízio Rodrigues, 25 anos, também foi ouvido pelos policiais. Segundo a Polícia Civil, ele não será indiciado porque não participou do crime. Amorim responde a um processo por homicídio, ocorrido há cerca de dois anos e meio em Curitiba.
Transferido - O estudante Cleverson Rosa Amorim, 22 anos, que confessou ter matado o padre Joaquim Raimundo Braz, em Matinhos, na noite da última segunda-feira, foi transferido ontem para o presídio do Ahú em Curitiba. O delegado que cuida do caso, Vinícius José Borges Martins, optou pela transferência para garantir a segurança do latrocida.
Amorim confessou o assassinato, mas alegou que pretendia somente assaltar o padre. Porém, o religioso reagiu e Amorim alega que enquanto tentava dominar o padre, a arma acabou disparando e provocando a fatalidade. Este é o segundo assassinato cometido por Amorim.
A Polícia Civil aguarda o resultado do exame de balística para comprovar se a arma que Amorim entregou à polícia é a mesma de onde saiu o tiro que matou o religioso. Assim que o resultado for entregue à polícia, o inquérito será encaminhado para o Fórum de Paranaguá, onde deve correr o julgamento de Amorim. (Colaborou Denise Angelo)


