Família diz que menino morto sofreu violência sexual
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terça-feira, 24 de março de 1998
Alexandre Sanches 
A Polícia Civil de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) está tratando com mistério a morte do menor Heliton José Souza, 12 anos. Desaparecido desde sábado à noite, ele foi encontrado morto anteontem, às margens de um córrego na periferia da cidade. A família afirma que o menino foi assassinado e que houve violência sexual contra ele, mas a polícia prefere não comentar o assunto.
A avó de Heliton, Sinelida Santos Lobato, 56 anos, que cuidava dele, disse que no final da tarde de sábado o chamou para casa, na Vila Aparecida. Ele disse que iria de bicicleta até a casa de um amigo, aqui perto, mas voltaria logo. Alguns vizinhos viram ele indo para o fundo de vale, acompanhado de um coleguinha, e que dois rapazes foram para a mesma direção logo em seguida, contou.
No mesmo dia a família chamou a polícia, mas não houve registro de desaparecimento por não ter completado as 24 horas necessárias para a queixa. A polícia não quis procurá-lo onde a mãe (Maria Adélia Lobato) indicou que o menino provavelmente estaria. A polícia disse ainda que não iria atrás porque estava chovendo, denunciou a tia Maria Aparecida Lobato, 37 anos.
Ela comentou que os vizinhos que viram o menino momentos antes da morte agora não querem falar nada. Um médico-legista de Londrina, identificado por Miguel, disse para o meu irmão que os cortes na barriga e na cabeça foram feitos por punhal e que o menino apresentava marcas de violência sexual. No entanto, o atestado de óbito apresenta como causa da morte afogamento pós traumatismo craniano. Estão querendo esconder alguma coisa, desabafou.
O menino foi encontrado cerca de 500 metros de uma tubulação de água pluvial. A bicicleta dele foi encontrada desmontada, o que, para a família, não caracteriza queda do menino, mas que alguém a destruiu.
Como choveu forte, a Polícia Militar prefere a hipótese que o menino foi ver a enxurrada, provocada pela chuva de sábado à noite, caiu e foi arrastado para o córrego. O delegado de Arapongas, José Carlos Bassalubre, não foi encontrado ontem para comentar o assunto. Por telefone ele disse somente que o laudo do IML não está concluído, o que deve acontecer hoje ou amanhã.


