Família diz que farmácia é culpada por suicídio do tio
Cristine Pieske
A farmácia Menphys, de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), teve seu armário de medicamentos psicotrópicos lacrado ontem à tarde pela Vigilância Sanitária do município. A farmácia está sendo acusada de ter vendido, sem receita médica, várias caixas dos remédios Tofranil 25, Diazepan e Dienopax, todos utilizados no tratamento de depressão. Os medicamentos foram comprados no dia 16 de janeiro pelo comerciante Jamil Stern Soares, de 45 anos, que ingeriu 208 cápsulas dos remédios e se suicidou.
A interdição da farmácia foi pedida pela família do comerciante, que acusa o estabelecimento de ter provocado a morte de Soares. Ele tinha pavor de sentir dor e por isso nunca iria se suicidar de outra forma, garante o sobrinho de Jamil Soares, Luiz Oliveira Júnior. Segundo ele, seu tio fazia tratamento contra a depressão e já havia tentado o suicídio no final do ano passado. Tudo isso poderia ter sido evitado se a farmácia seguisse a lei, diz.
Pela legislação que regulamenta a venda de medicamentos, as substâncias psicotrópicas só podem ser vendidas mediante apresentação e retenção de receita médica. Mesmo com a apresentação dos documentos, as informações com o nome do paciente, do médico e a quantidade comercializada devem constar de um livro de registros, analisado a cada três meses pelo Conselho de Farmácia do Paraná (CRF/PR).
O chefe do setor de fiscalização do CRF/PR, Sílvio Franchetti, alerta que a legislação é muito rigorosa e que todos os farmacêuticos conhecem sua importância. Quem não seguir as regras de comercialização de psicotrópicos, segundo Franchetti, pode ter seu registro profissional cassado.
Jamil Soares comprou os remédios na farmácia Menphys quando voltava para casa, na tarde do dia 16 de janeiro. Um amigo que estava no mesmo carro do comerciante diz que Soares ficou cerca de 15 minutos conversando com a balconista da farmácia. Logo depois, saiu com um pacote de remédios.
O sobrinho de Soares diz que já havia alertado a farmacêutica Yarema do Carmo para que não vendesse qualquer tipo de medicamento a seu tio. Ela desmente a informação e diz que recebeu orientações de seu advogado para não dar entrevistas.
A família do comerciante já entrou com um processo contra a farmácia e pretende exigir uma indenização por danos morais.





