Mesmo depois de muita discussão e trabalho para reverter o problema crônico de falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado, pacientes ainda continuam sofrendo. No último final de semana, mais uma pessoa pode ter morrido após esperar vaga em uma UTI na região de Londrina por mais de 48 horas. Pelo menos é o que aponta a família do aposentado Cipriano Campinha Filho, de 62 anos, que faleceu na noite de sábado no Hospital da Zona Sul (HZN). A supervisão da Central de Leitos em Londrina garante que ele entrou na lista de espera apenas 24 horas antes do óbito. Para 17 Regional de Saúde a morte não foi computada como provocada por falta de UTI.
Segundo o sobrinho da vítima, o técnico em informática, Luiz Antônio Campinha, de 37 anos, o aposentado sofria de enfizema pulmonar grave e, após apresentar uma infecção urinária, foi levado do Posto da Vila Brasil (área central) para o HZS, única instituição com leito disponível no dia 27. Ele permaneceu no quarto até o dia 28, quando seu estado de saúde piorou.
Campinha disse ter sido informado pelo hospital que o tio havia sido incluído na lista da central de vagas na manhã do mesmo dia mas não conseguiu ser transferido até a noite de sábado, quando faleceu. A direção do hospital foi procurada mas ninguém foi localizado ontem.
A supervisão de plantão da Central de Vagas em Londrina informou que o pedido ocorreu no dia 29 de agosto. Segundo a central, os dois médicos reguladores mantiveram contato permanente com o médico do paciente, mas nenhuma vaga foi conseguida pelo Sistema Único de Sáude (SUS) até a noite de sábado, quando o aposentado faleceu.
O diretor da 17 Regional, Gilberto Martins, disse que um primeiro pedido de vaga para o aposentado foi feito (ele não soube precisar a data) mas os médicos - tanto do paciente e os reguladores - reconsideraram a decisão. No sábado, dia 30 de agosto, o quadro do paciente se agravou e ele retornou à lista de espera por vagas horas antes do óbito. ''Não houve tempo suficiente para atender a solicitação.''
Segundo Martins, após as readequações feitas em julho e agosto, quando houve a falta crônica de leitos de UTI, a ''pressão diária'' que havia no sistema diminuiu. Ele disse que o problema vem desde o primeiro semestre de 2002, quando 104 pessoas morreram à espera de UTI na macroregião de Londrina. Até julho deste ano, o total de óbitos foi 94.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, declarou não ter conhecimento do caso mas garantiu que vai apurar os fatos. Ele comentou que se não houvesse vaga no sistema público, o paciente deveria ter sido encaminhado para um hospital particular.

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