Na começo da semana passada, Sandra Cristina Gomes Paiva, o marido e os dois filhos do casal, de 9 e 8 anos, tiveram de sair às pressas na madrugada, da casa no Conjunto Residencial das Águias. A chuva havia arrastado a terra dos fundos do quintal, o muro e uma edícula. Eles dormiam quando tudo aconteceu e foram alertados pelo latido insistente do cachorro da casa, que acabou morrendo soterrado no desabamento. Até ontem, a família não tinha conseguido voltar para o residencial e não sabia quando seria possível retornar, já que a casa foi interditada pelo Corpo de Bombeiros.
A principal preocupação de Cristina, no entanto, no momento em que precisou alugar uma casa, por R$ 160,00, por não ter para onde ir, é saber quem vai assumir a responsabilidade pelos prejuízos. Na edícula formada por um quartinho e um banheiro, a família costumava guardar as compras do mês e, o que mais está fazendo falta, as ferramentas do marido, que é pedreiro. Pela casa, comprada há sete anos e financiada por 25 anos junto à Caixa, a família Paiva paga uma prestação mensal fixa de R$ 96,00.
Dois meses antes do desabamento, o casal havia ligado para a Caixa, para avisar que estavam aparecendo rachaduras e ‘‘barrigas’’ no muro dos fundos e na edícula. Acionado pela Caixa, um técnico da seguradora veio uma semana antes do acidente e fotografou o local, dizendo que o processo ia ser demorado. Acrescentou também, segundo conta a moradora, que ‘‘isto está um perigo!’’ Pessimista, Cristina acredita que ‘‘só vão fazer alguma coisa, quando morrer alguém’’.

mockup