Há dois anos a família de Antônio Lopes da Silva, 54 anos, não sabe o que é viver sem ajuda. Moradores do Conjunto João Turquino, na zona oeste, eles sofrem com a falta de condições decentes de moradia e com o desemprego. Silva está sem emprego registrado em carteira há dois anos. Sua esposa, Ivani Daniel Ferreira, 42 anos, também procura e não acha serviço.
''Penso até em ir para São Paulo, onde tenho irmãos. É muito desânimo, quero trabalhar e não consigo vaga por causa da idade. Não ando conseguindo nem bicos'', lamenta Silva. O casal mora com três filhos pequenos (12, 9 e 5 anos) num barraco de dois cômodos. A casa não tem rede de esgoto. Fica num declive, o que faz com que o barro trazido pela chuva inunde a sala com frequência. A água e a luz foram cortadas há meses, por falta de pagamento.
De certo, no começo do mês, apenas a cesta básica doada pela prefeitura e os R$ 30,00 do programa municipal Bolsa-escola para manter dois dos três meninos na escola. De resto, a despensa só não fica às moscas porque vizinhos e a Igreja do bairro vez ou outra doam alimentos. Essa situação de dependência deixa Silva à beira do desespero.
''Eu tive que fazer um acordo para ganhar passes para que meu filho mais velho pudesse ir à escola. A gente sempre trabalhou, nunca dependeu dos outros pra viver. Não quero muita coisa. Quero uma chance de sustentar minha família sozinho'', desabafa Silva. Ele sonha em voltar a estudar até o final do ano.

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