Família denuncia negligência médica
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sexta-feira, 21 de maio de 1999
Dimitri do Valle 
A Unidade de Saúde São Benedito mantida pela Associação de Proteção à Maternidade e Infância Saza Lattes está sendo responsabilizada pela morte da dona de casa Maria do Carmo Nogueira, 69 anos, em Curitiba. Ela morreu dentro da unidade por volta das 9 horas de ontem enquanto aguardava para ser atendida numa consulta médica por causa de dores de cabeça. A família denuncia que faltou socorro. A coordenadora de serviços de Saúde da Associação, Luciana Andreia Strobel, nega a acusação.
O auxiliar de pedreiro William Novitique, 35 anos, que é casado com uma filha de Maria, disse que a dona de casa só teve atendimento quando estava morta. Uma enfermeira veio tirar a pressão da minha sogra, mas ela já estava morta, afirmou. Segundo William, Maria marcou a consulta na quinta-feira e recebeu a informação de que seria imediatamente atendida assim que chegasse a unidade São Benedito. Ela teria chegado por volta das 8h20 de ontem e até a hora da morte, conforme William, ninguém prestou qualquer tipo de atendimento.
Não tinha médico quando ela passou mal, disse William. O auxiliar de pedreiro revelou que a sogra chegou a urinar no chão quando começou a piorar. Deram um pano para minha mulher enxugar. Ninguém foi ajudar, informou. Durante a remoção do corpo, ele disse que os funcionários obrigaram que o cadáver fosse retirado da unidade pela janela para que ninguém pudesse ver. A coordenadora de serviços de Saúde da Associação, Luciana Strobel, contesta as afirmações de William e garante que Maria recebeu socorro imediato.
A coordenadora informou que três funcionárias chegaram a sugerir para a filha de Maria, a dona de casa Rita Nogueria de Cássia, que levasse a mãe para um pronto-socorro. Ela respondeu que preferiria aguardar a chegada do médico, contou. Luciana disse que quando Maria chegou a unidade, recebeu uma pré-consulta e teve a pressão arterial medida. Ela seria atendida por um clínico geral por volta das 9h30. O profissional a encaminharia para uma neurocirugião devido as fortes dores de cabeça que sofria. Como a unidade não é credenciada para atender casos de emergência, Luciana alegou que os profissionais que estavam no local fizeram tudo o que era possível.
A coordenadora informou que Maria foi socorrida por uma pediatra e uma ginecologista que realizaram massagens cardíacas para tentar reanimar a dona de casa. Não houve falta de atendimento. A família vai ter que provar o que está denunciando. Temos testemunhas que viram ela (Maria) ser atendida pelos médicos, rebateu.


