Família denuncia médico de Jacarezinho por negligência
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quarta-feira, 23 de agosto de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
A família da professora Edilene Miranda Correa, que morreu há duas semanas aos 32 anos, está denunciando o clínico-geral e cirurgião Emanuel Gonçalves Vieira, da Santa Casa de Jacarezinho, por negligência médica. Edilene morreu por falência múltipla dos órgãos decorrente de uma eclampsia grave (convulsão seguida de coma em consequência de hipertensão) 16 dias após o parto do seu segundo filho, que nasceu morto, vítima de infarto.
A dona de casa Edna de Miranda Souza, 43 anos, irmã de Edilene, acusa o médico que acompanhou toda a gestação de fazer a cesariana em condições adversas para a mãe e para o feto e de ter se negado a atender a professora quando seu estado de saúde piorou.
A família afirma que um outro médico teria tomado a iniciativa da remoção para a Santa Casa de Ourinhos (município paulista que faz limite com Jacarezinho). Vieira, candidato a prefeito pelo PFL, teria se negado a transferir a paciente e se omitido no momento em que Edilene passou a correr risco de vida e precisar de tratamento intensivo.
O médico estaria envolvido com a campanha eleitoral e esquecido da paciente. Ele poderia ter se empenhado em conseguir uma vaga em uma UTI antes que a situação chegasse a um ponto irreversível, acusa Edna. Além disso, já no nono mês de gravidez ela foi atendida com hipertensão (22 por 10). Depois de medicada, a pressão baixou. Ela queria ter a criança naquele momento e ele disse que ainda não era a hora. A pressão voltou a subir. Deu no que deu, relata.
A família está preparando uma ação por danos morais e materiais. O tratamento em Ourinhos custou cerca de R$ 600,00 e os funerais do feto e da mãe custaram R$ 1,4 mil. Os oito irmãos da professora estão tentando convencer a mãe, a aposentada Palmira Coelho de Miranda, 66 anos, a autorizar a provável exumação do corpo de Edilene, que deverá ser pedida em caso de investigação criminal, meta do advogado Agostinho Magno Alcântara.


