A Comissão de Ética da Maternidade Municipal de Londrina deve concluir em uma semana o parecer sobre a morte do bebê de Regiane Vieira Delgado da Silva, 16 anos, ocorrido no último domingo. A família da gestante acredita que houve negligência no atendimento e registrou um boletim de ocorrência na 10ª Subdivisão Policial. Segundo o marido dela, Rubens Cirino da Silva, 19 anos, eles prestarão depoimento hoje.
Regiane da Silva disse que chegou à maternidade no sábado, por volta das 19 horas, sentindo muitas dores. ‘‘Disseram que não havia vaga e, por isso, iriam me transferir para Cambé. Fiquei até as 21 horas esperando alguma providência. Só não fui para outro hospital porque estava sozinha e sem condições’’, contou.
A cesariana aconteceu às 5h30 de domingo e, conforme o atestado de óbito, o bebê teve morte intra-uterina devido ao descolamento total da placenta. Segundo o diretor clínico, Sinésio Moreira Júnior, o ultra-som realizado antes da cirurgia já mostrava o sofrimento da criança. ‘‘Quando o descolamento é parcial ainda há meios do bebê sobreviver, mas num caso como este é impossível’’.
Regiane da Silva confirmou que não fez pré-natal e procurou um médico apenas duas vezes durante a gestação. Ela acreditava que não teria problemas, pois sentia-se muito bem. O diretor clínico da maternidade afirmou que não há como prever o descolamento da placenta, no entanto mulheres hipertensas, usuárias de drogas, álcool ou fumantes são mais propensas.
‘‘Quero uma indenização pela perda da minha filha’’, disse Regiane da Silva, que já pensa em engravidar novamente. De acordo com a diretora dos Serviços Especiais de Saúde, da Autarquia Municipal de Saúde, Ana Olímpia Marcondes Dornellas, o município também vai submeter o caso à comissão de ética. Mas informou que é o Conselho Regional de Medicina que dá a palavra final. ‘‘Se ele entender que houve negligência, os responsáveis serão punidos de acordo com a lei’’, afirmou Sinézio Moreira Júnior.
Este é o terceiro caso de morte de recém-nascido ocorrido em Londrina em 50 dias. Nos dois casos anteriores, um ocorreu na Maternidade Municipal e outro, na Santa Casa.

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