A família da defiente auditiva, A.O.S., de 41 anos, está acusando o auxiliar de mecânico J.C.P, de 25 anos, de tê-la violentado sexualmente no último domingo, numa casa do Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Revoltados, familiares disseram que procuraram a Polícia momentos depois do fato e, mesmo assim, o suspeito não foi preso. Na família de A., outras quatro pessoas são deficientes mentais. Ela se comunica apenas com os familiares e somente através de gestos.
O irmão da vítima e vendedor autônomo Osmar de Oliveira Santos, 39 anos, contou que a agressão teria acontecido por volta das 14 horas do último domingo. Ele explicou que J. é casado com uma irmã da vítima, com quem tem uma filha de três anos e a mulher está grávida novamente, e mora na casa da frente da residência de A. Ele estaria sozinho em casa no dia da agressão e teria atraído a vítima, que estava sentada no quintal, para dentro de sua residência. Ele teria fechado a porta, ameaçado a deficiente com uma faca e a violentado no chão do quarto.
A mãe da deficiente notou a ausência da filha e encontrou A. cerca de três horas mais tarde, embaixo da cama do genro, tremendo e em estado de choque. O suposto agressor ainda estava no interior da residência e teria ameaçado a deficiente para que não o denunciasse. ''Chamamos a Polícia Militar, mas os policiais disseram que não poderiam fazer nada porque não havia a comprovação da agressão'', reclamou o vendedor. Procuraram ainda a promotoria criminal no Fórum de Cambé mas, segundo Santos, também não conseguiram ajuda.
Santos afirmou que, enquanto estavam no Instituto Médico Legal (IML), em Londrina, J. teria ido até a delegacia e confessado que manteve relação sexual com A., mas que ela havia consentido. O laudo do IML deverá ficar pronto amanhã. Ontem, a reportagem comprovou que ela apresentava hematomas nos braços e ainda estava bastante abalada. ''Nós queremos justiça. Se ele fez, queremos que ele pague atrás das grades'', disse Osmar.
O promotor criminal de Cambé, Leonildo de Souza Grota, declarou que ''houve indício de crime'', mas a Polícia não poderia agir de forma precipitada. ''Se ele fugir, é um risco que nós corremos'', afirmou. Ele apontou que deverá ser indicado um perito em comunicação com deficientes auditivos para intermediar o depoimento da vítima ao delegado da cidade, Antônio do Carmo. ''Essa moça não é interditada. Portanto, o que falta é a comunicação dela ao delegado'', concluiu.
O delegado garantiu que está correndo o inquérito policial e que nos próximos dias pretende convocar a deficiente para definir se houve ou não ameaça. Ele rebateu as críticas da família ao trabalho policial, afirmando que à Polícia não cabe julgar. ''O ato aconteceu mas, por enquanto, temos apenas versões'', completando que ainda não existem elementos suficientes que esclareçam o que, de fato, ocorreu. ''O que é estranho é que a mulher teria ficado na cada dele das 14 horas até por volta de 17 horas, estava escondida embaixo da cama, vestida e calçada'', concluiu.

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