Família de vítima se revolta em audiência
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Indignação e revolta marcaram a audiência sobre o homicídio do proprietário do Bar Gelobel Dom Pablo, Alaerte Francisco Zanoni, de 56 anos, ocorrido no último dia 7 de novembro. A esposa do empresário, Maria Cristina Ferreira Zanoni, e os dois adolescentes envolvidos foram ouvidos na manhã de ontem pela juíza da 2 Vara Criminal de Londrina, Lídia Maejima. Os adolescente D.A.S e F.H.A, ambos de 16 anos, respondem processo pelo homicídio na Vara da Infância e Juventude, mas são testemunhas de acusação no processo dos outros dois envolvidos no crime, o mototaxista Paulo Rogério de Assis, de 24 anos, e Fernando Roberto de Oliveira, 20 anos.
Os familiares do empresário não acompanharam os depoimentos, mas expressaram a revolta nos momentos em que os dois garotos foram levados para a sala da juíza. Sob gritos de assassino, D.A.S. e F.H.A.P. foram escoltados por policiais militares até a 2 Vara Criminal. A esposa do empresário não conseguiu conter a idignação e se exaltou diante de D.A.S, apontado como autor do disparo que matou Zanoni.
O irmão da vítima, Idevaldo Zanoni, de 58 anos, fez uma apelo às autoridades para a questão da redução da maioridade penal. Segundo Idevaldo, o pai dele criou 16 filhos sem nunca poder dar estudos para eles, mas nem por isso se tornaram marginais. ''A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o (presidente Luiz Inácio) Lula alegam que estes meninos não tiveram escolas, mas eles não vêm aqui para ver a nossa dor. Se tivesse prisão perpétua no Brasil, eles deveriam ter essa punição'', desabafou.
Segundo a promotora da 2 Criminal, Siomara Nogari que acompanhou os depoimentos , os dois jovens confessaram estar envolvidos no crime e disseram que a intenção era realmente fazer um assalto. Segundo ela, em depoimento, F.H.A.P. disse que teria ficado durante uma semana observando a rotina de Zanoni. A promotora informou que os adolescentes disseram que não sabiam a quantia exata que o empresário levava para casa, mas que era uma ''boa grana''.
Já o jovem D.A.S., que assumiu a autoria do disparo, relatou em seu depoimento, segundo a promotora, que após atirar contra a caminhonete, teria percebido que havia acertado o empresário e desistiu do roubo. Siomara também informou que uma testemunha que faria o elo entre os garotos e Fernando Oliveira não se apresentou, mas deve depor no dia 30 de dezembro.
Assis e Oliveira já foram interrogados. Ontem, eles permaneceram na carceragem do Fórum durante os depoimentos. Antes do encerramento do processo, a juíza deve ouvir nove testemunhas de defesa arroladas pelos réus. A promotora disse que ainda não há uma data definida para ouvir as testemunhas, mas que provavelmente deverá ocorrer no próximo mês.
Zanoni foi morto com um tiro no peito quando chegava em casa, na Rua País de Gales, no Jardim Igapó (Zona Sul), depois do fechamento do Gelobel Dom Pablo. A esposa do empresário estava junto com ele na caminhonete Silverado.


