Família de vítima recorre contra decisão da Justiça
A família do estudante Marco Aurélio Mendes, assassinado há mais de dois anos em frente de uma escola de Sarandi (7 km a leste de Maringá), vai entrar com recurso contra decisão da Justiça que relaxou a prisão do suposto autor do crime, Joneílson Flório de Oliveira, 24 anos. O receio da ex-carcereira da Delegacia de Sarandi e mãe de Marco Aurélio, Nazaré Mendes, e também do delegado José Aparecido Jacovós é que o julgamento com o réu em liberdade possa demorar mais de quatro anos para acontecer.
Com o réu preso o julgamento não levaria mais de um ano, avalia Jacovós. O delegado explicou que, em seu depoimento à polícia, Oliveira confessou o crime. Disse que matou motivado por vingança, pois Marco Aurélio estava namorando uma ex-namorada dele. Testemunhas oculares disseram que Oliveira, armado, estava esperando por Marco na saída do colégio.
O advogado de Oliveira, Israel Moura, contou que ele fugiu para Curitiba devido a ameaças que estaria recebendo. Em julho entrei com recurso no fórum dizendo que Oliveira iria se apresentar espontaneamente. A ficha dele é limpíssima, mostramos as certidões negativas mais depoimentos de amigos e vizinhos falando de seu bom comportamento, disse Moura.
No dia 20 de março de 1996, segundo depoimentos da família e do próprio réu, os dois brigaram aos tapas em frente ao colégio por causa da menina, que é colega de sala de Marco Aurélio. A vítima estudava na 8ª série e trabalhava há nove anos no mesmo escritório de contabilidade de Sarandi. No dia 22 de março, às 21h30, Marco foi morto na saída do colégio com cinco facadas. Vinte e quatro horas depois o delegado Jacovós conseguiu o mandado de prisão preventiva, mas Oliveira fugiu e durante dois anos e seis meses ficou escondido em Curitiba.
Nazaré trabalhava há sete anos como carcereira da Delegacia de Sarandi. Consegui fotos do acusado e distribuí cartazes para todas as delegacias do Estado. Me virei, sofri para conseguir fazer isto. Até larguei o trabalho. Queria o assassino de meu filho na cadeia, lembrou.
Oliveira acabou sendo reconhecido por um policial em Curitiba há duas semanas. Foi preso e recambiado para Sarandi, onde ficou na cadeia durante sete dias, até ter sua prisão relaxada por decisão da juíza Carmem Lúcia Rodrigues Ramajo.
Na semana passada, em depoimento ao delegado Jacovós, Oliveira confirmou que na briga que teve com Marco dois dias antes do crime ele (Oliveira) levou vantagem. Mas se você levou vantagem na luta corporal, por que procurou Marco de novo e armado com uma faca?, perguntou o delegado. Oliveira alegou que a rixa que tinha com Marco era muito grande.
Jacovós explicou que como Oliveira tinha domicílio em Curitiba quando foi preso, toda vez que o juiz ou o promotor pedir um depoimento de testemunha durante o julgamento ele terá de ser intimado (pois sua presença é obrigatória) por juiz de Curitiba, o que demora. Além disso, Oliveira ficou foragido da Justiça por mais de dois anos e só foi preso porque foi reconhecido. Não mostrou a menor vontade em se entregar e colaborar com o inquérito, disse Jacovós.
Marco Aurélio tinha 18 anos quando foi morto. Ele ajudava a mãe no trabalho dela no Conselho Tutelar, colaborando na recuperação de meninos de rua drogados. Houve revolta na cidade na época do crime.
Familiares e amigos de Marco Aurélio estão organizando passeata em protesto contra o relaxamento da prisão de Oliveira para a próxima semana. Hoje sem emprego, Nazaré e as três filhas fazem e entregam marmitas para sobreviver.Marcos NegriniNazaré e a foto de Marco Aurélio: Quero o assassino na cadeiaMarccio W. Varella





