Além de esperar a condenação criminal dos culpados pelo acidente ocorrido na Cacique em outubro de 2003, a família de Franklin de Oliveira Gomes, 68, luta na Justiça pela indenização por danos morais e materiais provocados pela morte do projetista.
Após ajuizar uma ação civil no último dia 18 de agosto na 9 Vara Cível de Londrina, a família já conseguiu a primeira vitória: a juiza Cristine Ferrari concedeu antecipação de tutela à viúva de Gomes, que passou a receber dois terços do salário do funcionário à época do acidente.
Franklin Gomes Júnior, filho do projetista, contou que, após o enterro do pai, a família nunca mais foi contatada pela empresa. ''Eles só cobriram os custos do funeral. Não recebemos nenhum tipo de compensação. Minha mãe tem 66 anos, não trabalha e só conseguiu quitar as prestações da casa popular onde mora por causa de um benefício concedido em casos de óbito'', relata.
Segundo o rapaz, Gomes trabalhava há mais de 30 anos na empresa e há pelo menos cinco estava aposentado. Ele continuou trabalhando na fábrica, como funcionário terceirizado. Ainda de acordo com o filho, o projetista era considerado um funcionário exemplar, que jamais se atrasava para o trabalho.
A advogada da família, Eneida Wirgues, informou que a ação solicita um pagamento de cinco salários mínimos por mês à viúva de Gomes, em caráter vitalício. ''Na verdade, os danos morais são incalculáveis, porque era uma família muito bem estruturada'', observou.
O assessor da presidência da Cacique, Leo de Almeida Neves, afirmou ontem que o departamento jurídico da empresa desconhece qualquer ação movida contra ela pela família de Gomes. Segundo ele, Gomes era funcionário de uma empresa tercerizada que prestava serviços à Cacique e não mantinha mais vínculos empregatícios com empresa. ''Essa tercerizada, que não me recordo o nome no momento, é quem deveria arcar com indenizações'', explicou.
De acordo com o assessor, a empresa pagou todas as verbas rescisórias e valores indenizatórios previstos em lei à famílida do funcionário morto, Aparecido Francisco Alves. ''O terceiro funcionário ferido já voltou a trabalhar na empresa'', garantiu. (V.N.)

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