A família do vigilante Elias Bernardo da Silva, morto com um tiro nas costas em agosto do ano passado, em Londrina, está pedindo providências ao Ministério Público para que esclareça o crime. Mais de 10 meses após o assassinato, ainda há dúvidas sobre a autoria do disparo. Na época, o também vigilante José Irineu Correa confessou o crime, mas hoje ele nega e diz ter sido pressionado.
O crime aconteceu na madrugada do dia 10 de agosto, no Residencial das Américas (zona norte), onde Silva, na época com 34 anos, e Correa trabalhavam. Segundo depoimento prestado por Correa à Polícia, algumas horas após o crime, a dupla estava perseguindo um ladrão, que estava no estacionamento tentando furtar um painel de moto.
Silva teria ido atrás do ladrão por um lado, enquanto Correa, dirigindo um carro, foi por um outro caminho. Quando o acusado viu o ladrão, teria atirado com um revólver calibre 38. Silva foi atingido por um dos disparos - a bala entrou pela costa e saiu pela traquéia. Tanto no depoimento como na entrevista à imprensa, Correa confessou o crime e disse que foi um acidente.
O irmão da vítima, o funcionário público municipal Jesuel dos Santos Silva, contou que a família está apreensiva. ‘‘A minha mãe ficou muito abalada: ela perdeu um filho e ainda ficou sem saber o que aconteceu direito’’, ressaltou. Ele está acompanhando todo o caso, analisou o inquérito policial e, por conta própria, fez a reconstituição do crime.
Jesuel contou que foi até o estacionamento do residencial e, com a ajuda de amigos, reconstituiu passo a passo todo o assasinato. Na sua opinião, se foi realmente Correa quem atirou no seu irmão, o disparo não foi acidental. ‘‘O tiro transfixou o corpo do meu irmão, quer dizer, não poderia ter sido disparado a uma grande distância. Foi à queima roupa’’, observou. Segundo ele, se Correa estive próximo a Silva, não teria confundido-o com o ladrão.
Segundo Jesuel, outra possibilidade é a do tiro ter sido dado pela ladrão, que fugiu. ‘‘Disseram que ele poderia ter se escondido em um terreno baldio e atirado de lá. Mas isso não é possível porque, naquela posição, o ladrão atingiria o meu irmão no pescoço e não nas costas’’, afirmou. Ele não descarta a possibilidade de uma terceira pessoa (um outro ladrão) estar no local do crime.
O inquérito policial, segundo Jesuel, foi concluído e estava tramitando na 4ª Vara Criminal. Ele explicou que conversou com a promotora Carla Macarini, levou um abaixo-assinado com cerca de 200 assinatura, pedindo a reconstituição do crime. ‘‘Com isso, poderemos saber, pelo menos, como aconteceu o assassinato’’, ressaltou. ‘‘Se a Justiça quiser, a gente autoriza a exumação do corpo’’.
Silva era casado e tinha uma filha, hoje com três anos. ‘‘A menina vem para a casa dos avós e, quando vê as fotos começa a chorar. Ela ainda está muito traumatizada e sente a falta do pai’’, contou.
A promotora da 4ª Vara Criminal, Carla Maccarini, requisitou a reconstituição do crime, o reinterrogatório do acusado e a acareação, na presença da representante do Ministério Público, com uma testemunha que assistiu a parte dos acontecimentos. ‘‘A peça está muito confusa. Não traz elementos de convencimento sobre a culpabilidade no crime. Nem mesmo com relação à autoria há convicção. Por isso, é necessário refazer as investigações’’, justifica Carla Maccarini, acrescentando que foram disparados cinco tiros (dois da arma da vítima e três do acusado), mas o exame da Criminalística não conseguiu identificar de que arma saiu o tiro fatal. ‘‘A reconstituição, a acareação e o novo depoimento são o esforço possível para esclarecer o caso, pois não há provas materiais nem testemunhais sobre o disparo que atingiu Elias.’’
Em depoimento ao então delegado do 2º Distrito Policial, Antônio Zuba de Oliva, horas depois da morte do vigilante, José Irineu confessou a autoria do disparo e disse que foi um acidente. Mas hoje ele nega e diz que fez a confissão porque estava traumatizado e se sentiu pressionado (ver matéria nesta página). De acordo com seu advogado, Marcelo Leal, não há nenhum indício de que o projétil que matou Elias tenha sido disparado pela arma de José Irineu.

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