Família de PM não se conforma com lei
A família do policial militar Edson Lincoln Gomes da Silva, 33 anos, morto no dia 19 de dezembro, quando tentava impedir um assalto em Santo Antônio da Platina (25 km ao sul de Jacarezinho), não se conforma com a frieza dos menores R.N.J., 14 anos, o irmão dele F.R.J., 16 anos, W.A.O., 16 anos e A.A.C., 17 anos. Segundo a viúva Valdelene Araújo Gomes da Silva, 28 anos, que presenciou o homicídio juntamente com as filhas de 5 e 8 anos, não dá para aceitar que eles respondam a um crime bárbaro como este pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
O policial, que estava de folga no dia do crime, ia com a família de Jacarezinho a Santo Antônio da Platina, quando presenciou um assalto a taxista. R.N.J., F.R.J. e W.A.O. abordavam o taxista, enquanto que A.A.C. dava cobertura, escondido na mata. Meu marido foi pego de supresa pelo Negão (apelido de A.A.C.), que deu um tiro certeiro no peito dele, relembra.
Os quatro menores foram presos no mesmo dia no Morro do Sabão, em Santo Antônio da Platina, e confessaram o crime. Também assumiram a autoria de outro assalto a taxista, na mesma semana. Um dos menores era fugitivo da cadeia de Santo Antônio da Platina. Como cristã, fui à delegacia e falei com eles, dizendo que os perdôo pelo que fizeram. No entanto, mostraram uma frieza total. Depois fiquei sabendo que uma semana antes de matar o meu marido já haviam matado outra pessoa em Santo Antônio da Platina, comentou.
Valdelene, que é diretora da secretaria da sub-seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Jacarezinho, é a favor da aplicação de penas mais duras para menores que cometem crimes deste tipo. E lei deveria ser normal para todos. O Negão, por exemplo, completa 18 anos em janeiro. Ele não deveria responder pela lei de menor, ressalta.
Para ela, o drama maior é que as filhas presenciaram todo o crime. Só Deus é quem pode apagar as imagens da mente de minhas filhas. Tentamos ser fortes e superar isso. Temos que perdoar o ato deles porque a lei de Deus determina o perdão a quem nos ofende. Mas da Justiça, não temos o que esperar, destaca.
Nos meios policiais há um comentário de que a família dos menores, logo após a prisão, pediram para que sumissem com eles porque não há mais o que fazer com eles. A Justiça já determinou o internamento dos menores em instituição em Curitiba. Ao contrário de A.M.G., de Joaquim Távora, estes quatro menores são considerados perigosos. (A.S.)





