Campo Mourão - Membros da família Albuquerque, uma das mais tradicionais de Campo Mourão, enviaram um documento à Câmara de Vereadores pedindo que seja revogada a lei que deu o nome da pioneira Anita Gaspari Albuquerque, morta há dois anos, a uma rua da periferia da cidade.
``Nunca vi uma coisas dessas``, estranhou o presidente da Câmara, Izael Skowronski (PPS). Ele encaminhou o ofício para a Comissão de Legislação e Redação para ver o que pode ser feito com a reivindicação. O documento também deverá ser analisado pela assessoria jurídica para receber um parecer.
No ofício, a família agradece a intenção dos vereadores, mas alega que a pioneira merecia uma homenagem ``mais justa``. ``Deram o nome dela a uma rua muito pequena``, explicou a filha Rose Mary Albuquerque. A rua fica no jardim San Marino, em frente ao Cemitério Municipal, num dos últimos vazios urbanos de Campo Mourão.
A família reclama que não foi consultada sobre a homenagem. ``Existe um loteamento da família e o nome dela poderia ser colocado lá ou numa rua maior``, ressaltou Élio Edson Albuquerque. O autor da lei, o vereador Edson Battilani (PPS), disse que apenas atendeu um pedido do loteador da área. ``Toda rua da cidade é importante``, defendeu.
O pedido de revogação da lei tem impecilhos legais. A Lei Orgânica proíbe que sejam alterados nomes de ruas, o que impede a revogação da lei. Além disso, as vias do jardim Albuquerque, sugeridas pela família, já têm nomes oficiais. Para complicar, a família Albuquerque não esconde certa mágoa da Câmara.
Em 1994, um projeto que dava o título de cidadania honorária a Anita Albuquerque foi rejeitado. Pouco tempo depois, a pioneira recebeu da Assembléia Legislativa o título de Cidadão Honorária do Paraná. Ela morreu em julho de 2000 aos 93 anos. O marido dela, Francisco Albuquerque, dá nome a uma rua central de Campo Mourão.

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