Se não bastasse o drama de ter perdido o marido Francisco Marques dos Santos, de 32 anos, em um trágico acidente de trabalho no dia 28 de março, Adriana Aparecida da Silva, de 27, ainda enfrenta dificuldades para manter a casa e sustentar os dois filhos: Kauã, de 4, e Jhonatan, de 7.
Trabalhando como diarista, a jovem precisa do apoio da população, "seja ele qual for", pois não tem nenhum parente que mora em Londrina para ajudá-la. Ela mora em casa alugada e paga R$ 250 mensais. "Ainda por cima, a dona pediu a casa de volta", aponta Adriana, que agora está correndo o risco de não ter nem onde morar. Uma saída momentânea foi pedir à patroa para adiantar o dinheiro de suas férias. "Só assim eu vou poder correr atrás das coisas e de uma outra casa para morar com as crianças", conta.
Adriana ficou viúva em um episódio trágico. O marido Francisco trabalhava como pedreiro autônomo na obra onde perdeu a vida. Ele serrava um pedaço de madeira apoiado na perna quando a serra elétrica o atingiu na barriga. O rapaz morreu logo em seguida. Por isso, Adriana não acredita que vá conseguir receber qualquer tipo de indenização pela morte do pai de seus filhos.

Saudade
Os filhos estão sofrendo com a ausência do pai, pois ainda não sabem que ele jamais estará fisicamente presente. "Está muito difícil", admite Adriana, emocionada. "Ele era o nosso alicerce. O meu filho caçula fica assistindo um vídeo que aparece o pai trabalhando e chamando por ele. Já o mais velho não consegue mais ir pra escola de saudades", lamenta a viúva.
Adriana lembra do marido com alegria. Francisco foi criado no Conjunto Violin, zona norte, e era muito querido pela comunidade. Ela relembra que no último mês pôde realizar um velho sonho familiar: ir com os filhos a um parque aquático localizado próximo a Maringá. "Foi maravilhoso. Depois de anos esperando, podemos viver momentos muito felizes", destaca Adriana. O passeio em família acabou se tornando uma espécie de despedida do seu marido, com quem viveu por mais de uma década.

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