Foi enterrado na manhã de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte de Londrina), o corpo de Antonia André Jofre, 45 anos, vítima de complicações de uma cirurgia para retirada da vesícula biliar (colecistectomia), realizada no Hospital da Zona Norte (HZN) no dia 14 de abril. Os problemas teriam começado com o esquecimento, por parte da equipe médica, de compressas dentro do organismo da paciente. Segundo a família, Antonia esperou cerca de oito meses pela cirurgia e entrou no hospital passando bem.
Uma das irmãs da paciente, Lourdes André Jofre Pardim, disse que Antonia foi operada três vezes no HZN. Quando o cirurgião responsável propôs a quarta intervenção, a família decidiu pedir sua transferência para outro hospital. Assim, 11 dias depois da 1 cirurgia, Antonia foi transferida para o Hospital Universitário (HU), onde foi operada novamente. ''Nos falaram que três órgãos seus foram perfurados. Ela sofreu muito nestes últimos meses'', afirmou Lourdes.
A família possui todos os prontuários médicos referentes aos atendimentos prestados, além de relatórios, que pretende utilizar para entrar com processo na Justiça contra o cirurgião. ''Este não é o primeiro problema com ele no hospital, queremos que ele deixe de atender para que não existam outras vítimas.''
Antonia era portadora de deficiência física, resultante de uma osteogênese imperfeita. Segundo a irmã, porém, a doença nunca lhe causou problemas nos órgãos internos. ''Ela era uma pessoa alegre'', contou Lourdes.
De acordo com o relatório assinado pelo médico, logo após a primeira cirurgia foi feita a contagem das compressas utilizadas e notou-se a falta de uma das ''pequenas compressas''. O documento diz ainda que no momento não havia raio-x no centro cirúrgico, pois o equipamento estava quebrado. A equipe então resolveu levar a paciente até a sala de radiologia, onde o exame confirmou a presença do material no organismo de Antonia. No mesmo dia, portanto, ela voltou para o centro cirúrgico para a retirada da compressa.
Daí em diante, segundo seus familiares, os problemas não pararam mais. No sétimo dia de internamento, nova cirurgia foi feita, ainda no HZN. Procurada pela reportagem, a direção do hospital informou que o caso já está sendo avaliado pela Comissão de Ética da instituição, e que a paciente foi transferida para HU assim que solicitado por parte da família, justamente por verificar que o hospital não tinha condições de atender caso de tamanha complexidade. Ao solicitar o telefone do médico responsável pela cirurgia, porém, um funcionário do hospital informou que não tinha o número disponível.
No relatório fornecido pelo HU, antes da morte de Antonia, às 23h50 de sexta-feira, o hospital afirma que ''durante o período de internação a paciente evoluiu, apresentando episódios de naúseas e vômitos, dor abdominal de difícil controle com analgésicos e pequena aceitação alimentar.'' O documento informa ainda que, como complicações, a paciente apresentou quadro clínico e laboratorial compatível com desnutrição e infecção de foco abdominal.

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