Família de operário quer investigação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de setembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Familiares do operário Luiz Carmos Ramos, 48 anos, morto anteontem após ser vítima de um soterramento em uma obra municipal de construção de galerias pluviais na Vila Izabel, Zona Leste de Londrina, registrou queixa na 10 Subdivisão Policial para que o acidente seja investigado. Na tarde de ontem, foi realizado o sepultamento no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte).
A esposa de Ramos, Diomar Ferreira Gonçalves, reafirmou que era o primeiro dia do marido no trabalho, após cinco meses de desemprego. Ela contou que o operário saiu empolgado para trabalhar. Diomar falou que só ficou sabendo da morte do marido mais de três horas depois do acidente, quando o corpo já estava no Instituto Médico Legal (IML). Por falta de um documento com foto da vítima, a família só conseguiu a liberação para o velório no final da manhã de ontem.
Ela também disse que estranhou o fato de que o marido havia começado a trabalhar no dia 18 mas, segundo a empresa que o contratou - a empreiteira Paviservice, de Curitiba -, estaria registrado desde o dia 15. A carteira, segundo os familiares, continua em poder da empresa. Outro ponto questionado pela família foi a ausência de equipamentos de proteção individual para Ramos, como capacete, e a falta de proteções na laterais da valeta de mais de três metros de profundidade onde Ramos trabalhava. O próprio perito da Polícia Científica, Luiz Carlos Kovacs, atestou que o capacete poderia ter salvado a vida do operário. Kovacs também destacou a necessidade de escoras no barranco.
O encarregado geral da Paviservice em Londrina, Airton Zanim, confirmou que ele foi registrado antes de começar a trabalhar mas considerou esse fato normal e também apontou que a carteira de trabalho do operário realmente está em poder da empresa, responsável pela obra. Ainda segundo Zanim, todas as explicações serão dadas ao Ministério do Trabalho.
Quanto à falta de equipamentos de proteção individual para o operário, Zanim afirmou que o capacete que ele usava teria sido encontrado ontem pela manhã no local do soterramento. O encarregado argumentou ainda que a colocação de escoras no barranco não era necessária porque a vala foi feita em ''V''. Zanim assegurou que a empresa prestou toda a assistência funeral e que ''está disposta a dar toda a assistência para a família''.


