Na última sexta-feira, o juiz da 6ª Vara do Trabalho em Londrina, Reginaldo Melhado, julgou uma ação que chamou a atenção pela indenização arbitrada: R$ 1,4 milhão. O valor deve ser pago à esposa e duas filhas de um operário que morreu em março de 2003, vítima de acidente em um canteiro de obras na Gleba Palhano (Zona Sul). As empresas condenadas em primeira instância irão recorrer da decisão.
O acidente aconteceu no dia 17 de março durante a montagem de uma grua pertencente à Bortolotto Transportes e Guindastes em uma obra da Plaenge Empreendimentos. O acidente provocou ferimentos graves no operário Antônio Carlos Teixeira, que chegou a ser levado para o Hospital Universitário mas faleceu alguns dias depois. Ele era funcionário da Empreiteira PSV. Outros dois trabalhadores ficaram feridos sem gravidade.
O assessor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Londrina, lembrou que a indenização de R$ 1,4 milhão é inédita em Londrina e, talvez, em todo o Paraná. A quantia, segundo Custódio, é substancialmente superior aos valores - ''R$ 50 mil, R$ 100 mil'' - que normalmente são fixados. ''Isso é importante porque nossos tribunais ainda são conservadores em ações do tipo. Uma sentenças dessas ajuda a mostrar para as autoridades que é necessário mudar essa visão, porque a perda sentimental da família não tem dinheiro que vá reparar, argumentou.
A assessora jurídica da Plaenge, Priscila Sokolowski, adiantou que a empresa irá recorrer. Ela ressaltou que os valores estabelecidos também deverão ser contestados. A advogada citou que uma perícia particular teria constatado que o acidente ocorreu em função de uma falha mecânica no guindaste, que pertencia a empresa contratada pela construtora. A responsabilidade da Plaenge, para Priscila, se daria em função da contratação dessa empresa dona do equipamento.
O advogado da Bortolotto, Ronaldo Gomes Neves, antecipou que também vai tentar reformar a decisão discutindo tanto a responsabilidade da empresa no acidente fatal quanto os valores arbitrados. Ele rebateu que a posição da Plaenge e argumentou que teria havido ''falha dos operários que estavam na grua, que não prenderam adequadamente os contrapesos''.
Os operários citados pelo advogado seriam ligados à empreiteira PSV, dirigida por Juarez Vitorino dos Santos. A FOLHA não conseguiu fazer contato com ele para que falasse sobre a decisão.

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