Família de mulher atropelada cobra justiça
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de julho de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Gisele Boletti da Silva, a mãe que morreu ao tentar proteger a filha de três anos ao serem atropeladas na calçada na terça-feira à tarde, na esquina das ruas Mossoró com Paraíba (Área Central de Londrina), ainda amamentava um bebê de apenas três meses. A jovem mãe também se preparava para voltar a estudar. Gisele sonhava em cursar Direito.
Indignados com a interrupção trágica dos sonhos de toda uma família, parentes das vítimas do acidente envolvendo uma Kombi da Prefeitura de Centenário do Sul e uma camionete D-20, estiveram na Delegacia de Trânsito ontem pela manhã para cobrar agilidade na apuração do caso.
No momento do acidente, a Polícia Militar (PM) informou que a camionete conduzida por Anísio Favoretto, 50 anos, chocou-se com a Kombi dirigida por José Pereira da Cruz, 36 anos. Desgovernada, a Kombi subiu a calçada, atingindo Gisele e a filha Izabela. O veículo esmagou a mãe contra o muro e a filha teve parte do braço amputado e está internada em estado grave no Hospital Infantil.
Assessor parlamentar em São Paulo, o jornalista Francisco Fernandes é o pai de Gisele. Ele estava acompanhado do filho, o também jornalista Fernando Boletti de Lima. Os dois foram informados pelo delegado de Trânsito, Aparecido Antônio Gregório, que ainda não tinha recebido o boletim de ocorrência, o que deveria acontecer até a próxima segunda-feira.
''O delegado afirmou com muita seriedade que não vai deixar esfriar o caso e, se possível, vai pedir a prisão do culpado. É até difícil neste momento fazer uma avaliação da situação. Em casa, a minha mulher e todos os parentes estão abalados. Estamos tocando a vida e orando a Deus para a recuperação da minha neta Izabela'', ressaltou Francisco Fernandes.
Fernando Boleti de Lima concorda com pai, confiando na apuração do acidente. ''Ele (o delegado) deixou bem claro que, independente de sobrenome das pessoas envolvidas ou posses, será cumprido o que manda a lei e o culpado vai pagar pelo que fez'', espera Lima. O marido da vítima também esteve na delegacia e, bastante emocionado, disse que esperava que a filha se recuperasse.
O delegado tem 30 dias para concluir o inquérito sobre o acidente. Esse prazo pode ser prorrogado. ''Estávamos esperando pelo boletim de ocorrência para começarmos a ouvir as pessoas. Eu vou procurar apurar com precisão o culpado, que será informado de suas qualificações para que o juiz tome uma decisão. Acidente de trânsito é muito delicado. É algo que a pessoa não quer que aconteça e que causa danos tremendos a outras pessoas. Mas quem é responsabilizado tem a sua penalização'', afirmou Gregório, destacando que a pena para homicídio culposo, como pode configurar o caso, é de um a três anos de detenção.
A Folha procurou Favoretto em sua residência mas familiares informaram que ele viajou para o Mato Grosso e, por isso, não poderia falar sobre o assunto.


