A família de Cristina Aparecida dos Santos Jacinto, 67 vítima de assassinato de Londrina este ano, denunciou ontem que vem sendo ameaçada por Donizete de Assis, ex-marido de Cristina. Ele é acusado de ter matado Cristina no sábado à tarde, com três tiros, e está sendo procurado pela polícia. Os familiares e algumas testemunhas estiveram ontem no 2º Distrito Policial para prestar depoimento.
A mãe de Cristina, Maria Augusta de Oliveira Santos, disse que Donizete mandou avisar a família que agora irá matar os filhos, de 9 e 7 anos, que moram com os avós maternos, no Jardim Marabá (zona leste). ''Nós estamos preocupados, e se ele cumprir a ameça?''. Ela disse que a filha era ameaçada pelo ex-marido e, por isso, ligou para a polícia várias vezes. ''Eles diziam que se ele não tinha matado a minha filha nos 10 anos que eles foram casados não ia matar agora'', afirmou. Cristina e Donizete, conhecido como ''Monstrinho'', estavam separados há mais de um ano.
Maria contou que dois dias antes de Monstrinho sair da prisão (dia 18 de junho) o irmão dele veio até a casa e avisou que Cristina devia fugir porque assim que saísse da cadeia Monstrinho ia matá-la.
O pai de Cristina, que não quis se identificar por medo de represálias, disse que não terá paz enquanto o ex-genro continuar solto. ''Como é que eu posso trabalhar se não tenho segurança nenhuma?'', questionou. ''Ele já me ameaçou várias vezes, não tenho sossego nem para trabalhar e toda a família depende de mim, até os filhos dele sou eu que sustento.''
Segundo a mãe da vítima, Cristina estava indo combinar um emprego quando foi morta. ''Ela não podia nem trabalhar, nem levar os filhos para a escola de medo dele.'' Segundo a família, Cristina registrou várias queixas na Delegacia da Mulher, mas nada foi feito. ''Ele batia muito nela, até na frente das crianças. Ela foi na polícia, mas tinha medo de que ele fizesse coisa pior.''
A delegada da Mulher, Maria Joseléia Pigozzi, confirmou a existência dos boletins de ocorrência, mas disse que Cristina não quis encaminhar o caso para o juizado. ''Não há nada que a polícia possa fazer se a vítima não quiser continuar o processo. Infelizmente, por causa do medo, as mulheres não levam o caso adiante e muitas vezes o desfecho é trágico.''
A reportagem da Folha tentou falar com o delegado responsável pelo caso, Roberto Humming, mas não conseguiu porque ele estava em diligências.

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