Família de morto pede explicações
Emerson Cervi
De Curitiba
A família do capataz de fazendas, Antônio Manoel da Silva, 41 anos, que morreu ontem, vai recorrer ao Ministério Público contra a Polícia Civil. Antônio Manoel foi sepultado ontem, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, depois de ficar duas semanas internado em hospitais de Campo Mourão e Curitiba. Segundo Lucineide Maria da Silva, irmã de Antônio Manoel, ele levou nove tiros da polícia na noite do dia 20 de fevereiro, no município de Mamboré, região central do Estado. Até agora só sabemos disso, ninguém da polícia explicou como isso foi acontecer, diz Lucineide.
Segundo ela, Antônio Manoel teria sido baleado por policiais por resistir a prisão. O único policial que falou comigo, disse que tinha dado apenas três tiros nele, gostaria de saber de onde vieram os outros seis?, pergunta.
Da madrugada do dia 21 de fevereiro até terça-feira passada o capataz estava internado em um hospital de Campo Mourão. A gente trouxe ele para Curitiba, onde receberia melhor tratamento, mas não adiantou, era muito tarde.
Lucineide reclama também que os familiares não foram informados pela polícia da ocorrência. Quem avisou a família foi uma conhecida de Antônio Silva que foi visitar outro paciente no hospital e viu Antônio Manoel. Quando chegamos lá, ele estava algemado na cama e a polícia de Mamboré cobrou R$ 50,00 de fiança para liberar a transferência do meu irmão a Curitiba.
A assessoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública informou ontem que o fato está sendo investigado pela Polícia Civil. Pelas informações preliminares, o capataz teria sido baleado três vezes por um policial militar porque resistiu a uma ordem de prisão. Na noite de 20 de fevereiro, Antônio Manoel estava bêbado e ameaçando populares com uma faca durante festa na comunidade rural de Guarani, em Mamboré. O capataz era conhecido da polícia local por envolvimento em brigas anteriores.





