Dorico da SilvaPor justiçaProtesto foi organizado pela família de Cristian, morto há um anoA família do estudante Cristian Moretto, 19 anos, baleado durante tiroteio num bar na vila Siam, na zona Leste de Londrina, em julho do ano passado, vai entrar na justiça com ação de indenização por danos materiais e morais contra os irmãos Joel e Rubens Mendes de Queiroz, 30 e 32 anos respectivamente, que confessaram a autoria do crime. Ontem de manhã, a família do jovem realizou um protesto no Calçadão pedindo a prisão dos dois irmãos, que continuam em liberdade.
Cristian morreu nove meses e cinco dias depois de ter sido baleado, devido a uma série de infecções decorrentes do tiro. A advogada da família, Rossana Helena Karatzios, diz que a ação de indenização está praticamente pronta. ‘‘Estamos somando as despesas materiais como gastos com funeral, remédios e fisioterapia, além de calcular o equivalente aos danos morais. A soma será alta’’, antecipa Rossana, que pretende entrar com a ação no próximo mês. Ela também pedirá uma pensão para a família. ‘‘Na época, Cristian estava com 18 anos. Como a expectativa de vida do brasileiro é de 70 anos, ele ainda tinha muito a produzir’’.
O inquérito policial foi concluído no início deste mês. Rossana diz que, o exame de balística, feito há cerca de dez dias, comprovou que o projétil calibre 38 era da arma entregue pelos irmãos à polícia. ‘‘O Rubens foi quem atirou em Cristian’’, diz ela. Apesar deles só terem apresentado uma arma, testemunhas afirmam que os dois irmãos estavam armados na ocasião. A advogada, que entrará como assistente de acusação, explica que agora o inquérito policial será encaminhado ao Fórum.
A mãe de Cristian, Nadir de Medeiros Pereira, organizou a manifestação no Calçadão. Cerca de 70 pessoas participaram do protesto. Funcionária pública estadual, Nadir quer justiça. ‘‘Qualquer mãe faria o mesmo. Meu filho não está mais aqui para se defender. Eu tenho que fazer isso por ele’’, diz a mãe, prometendo uma série de novas manifestações. ‘‘Só vou parar quando a justiça tiver sido feita. Meu filho era uma pessoa alegre e decidida. Como não tinha passado no vestibular para medicina, resolveu fazer o curso de auxiliar de enfermagem. O Cristian queria trabalhar na área de saúde. Ele já tinha resolvido que iria trabalhar à noite e fazer cursinho para disputar uma vaga no curso de medicina’’.

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