Os familiares do estampador Itamar Cerquiro da Silva, 24 anos, que morreu em consequência de um acidente de moto na sexta-feira passada, às 22h40, na Avenida Chepli Thanus Daher, no Jardim Acapulco (Zona Sul), pretende entrar com ação contra a empresa responsável pela caçamba em que o rapaz colidiu. Itamar, que estaria participando de um racha, chegou a ser socorrido mas não resistiu aos ferimentos.
Ontem pela manhã, o irmão da vítima, o motorista Ivan Cerquiro da Silva, 35 anos, esteve na 10 Subdivisão Policial (SDP). No local, também estava um menor de idade que estaria participando do suposto racha. O adolescente iria prestar depoimento na Delegacia de Trânsito.
Ivan confirmou que o irmão poderia estar participando de um racha, mas afirma que a caçamba estava instalada na rua. ''Não tinha construção perto e a caçamba estava no meio da rua. Vamos tentar evitar mortes relacionadas com caçambas que, no caso do meu irmão, estava na rua, em local errado, escuro e de difícil visibilidade'', alegou Ivan.
O motorista disse ainda que Itamar saiu de casa, dizendo que iria comprar carne para um churrasco. No caminho encontrou o menor, que o teria convidado para um racha. ''A gente sabia que o Itamar gostava de participar de racha. Ele gostava de velocidade não só de moto, como de carro. Uma ação contra a empresa de caçambas não salvaria a vida do meu irmão, mas ajudaria a evitar a de outras pessoas'', acrescentou.
O proprietário da empresa, Luiz Cláudio Rodrigues, que esteve no local do acidente, afirmou que a caçamba estava estacionada como manda a legislação específica. ''Na hora do acidente, o policial que atendeu a ocorrência chegou a me falar que a caçamba estava colocada de acordo com a legislação e bem sinalizada. Além disso, estava embaixo de um poste de luz. Tanto estava estacionada na sarjeta que, com a colisão, chegou a quebrar o meio-fio, onde a caçamba foi batendo'', justificou, dizendo ainda que a caçamba foi colocada no local, às 17h30 do dia em que aconteceu o acidente.
''É uma avenida larga. Se a caçamba estivesse no meio da rua, como a família diz, os moradores da região já teriam reclamado'', garantiu Rodrigues. O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti, explicou que as caçambas estacionadas nas ruas precisam ser sinalizadas, com triângulo reflexivo, obedecendo as leis de trânsito.
O inquérito policial para apurar as responsabilidades no acidente foi instaurado anteontem pelo delegado de Trânsito, Aparecido Antônio Gregório. Ontem, ele ouviu algumas testemunhas e esteve no local do acidente para colher outras informações, mas a retirada da caçamba pelo empresário prejudicou o trabalho. ''Felizmente, um parente da vítima fotografou tudo antes'', disse o delegado, ao criticar a alteração do cenário. As motocicletas envolvidas no acidente foram periciadas no Instituto de Criminalística (IC). Mesmo procedimento será realizado com a caçamba, que, com o choque, foi empurrada a seis metros.
''Queremos verificar com precisão a posição da caçamba, o porquê estava lá, se há espaço compatível para os danos físicos na vítima e no veículo, se houve ou não um racha ou imprudência do motoqueiro. Temos que ter zelo nesta investigação, já que a emoção pode falar mais alto neste momento'', afirmou. (Colaborou Betânia Rodrigues)

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