Família de jovem assassinado quer criar ONG
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sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
De uma maneira trágica, a família do estudante Gabriel Rezende Marques Guimarães, 20 anos, morto no último final de semana com três tiros ao reagir a uma tentiva de assalto, descobriu que vive em uma outra sociedade alimentada pela ''omissão dos justos'', como reconheceu ainda sob forte emoção e dor, o médico Marcos Afonso Posso. Ele é padrasto do jovem assassinado porque não quis deixar que ladrões levassem o seu carro.
Na opinião do médico, os justos estariam abrindo espaço para ladrões e corruptos. ''A maioria das pessoas é do bem. Parece que estamos acuados pelo outro lado'', afirma Posso, que anteontem à noite organizou um reunião em sua casa, com parentes e amigos de Gabriel, para traçar estratégias a pequeno, médio e longo prazos na expectativa de barrar o que considera um estado de violência institucionalizado em Londrina.
Entre as ações, os familiares do rapaz pensam em criar uma Organização Não-governamental (ONG). ''Essa ONG poderia dar suporte às pessoas que passaram pelo mesmo problema nosso, prestando ajuda de forma jurídica ou colaborando na cobrança das autoridades na apuração dos casos. O que fica mais claro para nós em tudo o que aconteceu é que a nossa cidade está abandonada'', ressalta Posso, acrescentando que a longo prazo ainda é precoce dizer o que os familiares pretendem fazer, mas querem se colocar na brecha dessa ''sociedade da omissão'', com outras pessoas que queiram se juntar a eles.
Segundo ele, cada um dos cerca de 20 integrantes da reunião ficou responsável em entrar em contato com associações de classe, convidando-as a aderir ao movimento. Ontem à tarde, os familiares se reuniram com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, e pediram pressa nas investigações.
''O primeiro passo é conseguirmos a elucidação do caso. Estamos pensando ainda em organizar uma passeata, com distribuição de panfletos e instalação de outdoors. Porém, acreditamos que é uma mobilização que precisa ser feita no dia-a-dia. Pensamos em colher assinaturas revindicando a mudança no Código Penal e da maioridade. O nosso temor é que, no crime do Gabriel, o autor seja um adolescente. Se for mesmo não tem nada a fazer.''


