Família de garçom vai entrar na Justiça contra Estado
Curitiba Um caso e de bastante repercussão foi o do garçom Jonis Proença, 21 anos, baleado durante troca de tiros entre policiais militares e um assaltante, na Cidade Industrial de Curitiba, no dia 16 de junho. O amigo do garçom, Waocimar de Souza Alves, 30 anos, também foi atingido de raspão no ombro.
A viúva de Proença, Juliana Rodrigues Proença, aguarda o laudo do exame balístico que confirme a autoria do disparo que matou seu marido. Com esse resultado e assessorada pelo advogado Júlio Militão, a dona de casa, mãe de um filho de três anos, pretende mover uma ação contra o governo do Estado, pedindo indenização. ''O que se busca é um corretivo para que o Estado seja punido pelo que fez de errado e que se faça Justiça'', disse Militão.
Antes de procurar o advogado, Juliana estava acompanhando, com a ajuda do pai, José Rubens Rodrigues, o andamento das investigações sobre o caso. Segundo ela, testemunhas que estavam no local afirmaram que o tiro partiu de um policial. Juliana contou, ainda, que uma testemunha que segurou Proença nos braços enquanto aguardava a chegada de socorro disse que ele já estaria morto quando foi levado pelo Siate ao Hospital do Trabalhador.
O relatório do hospital acusa que Proença já estava morto quando deu entrada no pronto-socorro. As roupas do garçom, segundo Juliana, também sumiram. No prontuário do hospital, relatou a viúva, consta que Proença chegou só de cueca. Juliana acredita que houve intenção de suprimir provas.
''Tem muita coisa errada'', afirmou José Rodrigues. O que ele discorda é no argumento de despreparo da polícia, pois o tiro teria partido de um oficial que, em tese, é bem treinado. ''Para mim isso é abuso de autoridade, de poder. Ele perdeu a razão. Saiu do controle. Foi um erro grosseiro'', desabafou.
A Delegacia de Homicídios está investigando o caso. O delegado que preside o inquérito, Stélio Machado, disse que as testemunhas que ouviu também garantiram que o tiro teria partido da polícia. Também foi instaurado Inquérito Policial Militar (IPM), que tem prazo até hoje para ser concluído. Segundo a assessoria de imprensa da PM, o responsável pelo IPM, capitão Daniel Neumann, está aguardando o laudo de comparação balística para concluir a investigação.





