Os pacientes do SUS vivem diariamente uma rotina na qual enfrentar horas de espera na fila de hospitais e postos para conseguir consulta e atendimento, é praticamente obrigatória. O ex-combatente de guerra, Manoel Torres Barbosa, 71 anos, tentou durante 40 dias marcar consulta com um urologista em Londrina, onde mora, e sofreu o drama de quase todos os brasileiros que não têm convênios ou recursos para um melhor atendimento.
Barbosa, aposentado pela Marinha, contraiu infecção depois de colocar uma sonda e precisa de cuidados médicos, diz uma de suas filhas, Glória Maria Barbosa Lopes. ‘‘Meu pai passa o dia inteiro na cama e minha irmã ia quase todos os dias ao hospital tentar marcar a consulta’’, conta ela.
Glória diz que ficou indignada com a demora no atendimento. ‘‘Meu pai arriscou a vida pelo País, lutando na 2ª Guerra. Agora, o País não pode fazer nada para salvar sua vida. A guerra continua para conseguirmos o tratamento’’, destaca a filha.
O aposentado não tem convênio médico e se não conseguir fazer o tratamento completo pelo SUS terá de buscar ajuda no Hospital da Marinha, no Rio de Janeiro. Segundo Glória, a viagem até o Rio prejudicaria ainda mais o estado de saúde de seu pai, que está bastante debilitado.
A mulher do ex-combatente, Emilce Medeiros Barbosa, também sofreu ao lado do marido para conseguir uma consulta pelo SUS. Depois de dois meses de tentativa, ela conseguiu marcar consulta para a próxima terça-feira. ‘‘Fui para a fila às 5 horas da manh㒒, conta.
A aposentada Militina Manoel Marcelino fez duas cirurgias pelo SUS no Hospital de Clínicas em Curitiba. Na consulta realizada na última terça-feira, teve de aguardar quase cinco horas. ‘‘Já perdi as contas de quantas vezes já vim aqui e tive de esperar horas e horas’’, reclama.
O diretor geral do HC, Mário Sérgio Cerci, afirma que a demanda é maior que a capacidade de atendimento do hospital. ‘‘A espera é desconfortável. Mas quem tem dor e está em piores condições é atendido primeiro’’, explica.

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