A família do estudante Waldemar Carvalho Filho, 19 anos, morto após colidir uma motoneta jog com uma viatura da Polícia Militar que o perseguia na PR-090, entre Ibiporã e Sertanópolis (Norte do Estado), pretende pedir auxílio ao Ministério Público. Os familiares acreditam que só os promotores podem apurar a responsabilidade da PM na morte do estudante. A informação foi repassada ontem por uma tia do adolescente, que preferiu não se identificar.
As decisões da família, entretanto, dependem da mãe de Waldemar, Elza Vieira Carvalho, que foi internada sábado em estado de choque no hospital de Ibiporã, pouco antes do enterro do único filho. Os parentes temem represálias da polícia e não registraram queixa na delegacia, pois o delegado da cidade, segundo a tia, teria expulsado as pessoas que estiveram no local do acidente para acompanhar o trabalho da perícia.
Waldemar estava entre um grupo de jovens que foi acusado de furtar um aparelho de CD de um carro em Sertanópolis. Ele saiu do local do incidente com a chegada da polícia, porque a motoneta que pilotava estava sem farol. A Polícia Militar, em matéria publicada ontem na Folha, considerou a morte de Waldemar na perseguição como ‘‘uma casualidade’’. Mas para a família e os amigos do estudante, o acidente foi provocado pelos policiais. O sargento Levi Teófilo disse anteontem que no local do acidente não havia nem mesmo sinais de frenagem dos pneus. A tia contesta a informação e diz que ‘‘a freada está lá para quem quiser ver’’.
O 5º Batalhão da PM de Londrina informou ontem que vai instaurar inquérito
policial militar para apurar se houve responsabilidade dos policiais no acidente. Segundo o setor de Relações Públicas do Batalhão, o inquérito será presidido por um oficial nomeado pelo comandante em exercício, major Manoel da Cruz Neto. O início das investigações depende da publicação do boletim interno da corporação.
Até agora nenhum dos policiais envolvidos no caso foi afastado das funções. Segundo a PM, ainda ainda não foram encontrados motivos para o afastamento. O inquérito tem 40 dias para ser concluído, prazo que pode ser prorrogado por mais 20 dias se houver necessidade. Após a conclusão, o inquérito é encaminhado para a auditoria em Curitiba, onde são determinadas as possíveis penas. O comando do BPM, de acordo com o setor de Relações Públicas, tem autonomia apenas para apurar irregularidades disciplinares dos policiais envolvidos e determinar sanções de disciplina.

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