Família de empresários mortos cobra punição
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segunda-feira, 09 de julho de 2001
Vânia Moreira De Umuarama 
Hoje faz cinco anos que os empresários Quinto e Celso Luiz Andreis, pai e filho, foram executados a tiros em Guaíra (141 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Em comunicado distribuído à imprensa esta semana, a família dos empresários reclama da morosidade da Justiça e cobra a punição dos acusados pelo assassinato que gerou grande repercussão por envolver uma família tradicional e poderosa no ramo de transportes e exploração fluviais.
O dono da F. Andreis, Milton Andreis, 39 anos, e o comerciante Roque Fabiano da Silveira, 35 anos, filho dos ex-prefeitos Osvaldo e Ada da Silveira são apontados como mandantes do crime. O motivo seria a disputa pelo direito de explorar a travessia por balsas entre Guaíra e Mundo Novo (MS), um negócio altamente lucrativo que acabou em 98 com a inauguração da ponte Airton Senna. Tio de Milton e dono da Mineradora Floresta, Quinto conseguiu em 95 na Justiça o direito de também explorar o serviço, cujo monopólio pertencia à F. Andreis. Quinto e Celso na época com 60 e 33 anos de idade foram mortos a tiros de pistola 9 milímetros na frente da casa de Quinto. Dois pistoleiros numa moto chamaram o empresário e disparam contra ele. Celso tentou socorrer o pai e também foi baleado.
Os parentes das vítimas questionam por que vários outros crimes praticados depois já foram julgados pelo Tribunal do Júri enquanto o processo contra os principais acusados das mortes de Quinto e Celso ainda nem chegou à fase de produção de provas. No manifesto, a família faz um apelo ao Poder Judiciário para agilizar o processo. A demora, além de causar a sensação de impunidade, gera também, neste caso, a crença de que quem tem dinheiro e poder está acima de tudo e de todos, inclusive da própria Justiça, diz a nota.
O ex-barqueiro Jolcimar Luiz Pés, o Jilsão, foi preso e julgado em agosto de 98. Acusado de ter transportado os dois pistoleiros, Jilsão foi condenado a 12 anos de prisão, mas o julgamento foi cancelado pelo Tribunal de Justiça porque houve confusão na votação dos quesitos. Libertado logo depois, Jilsão está foragido.
Milton Andreis, Roque e outros três acusados foram denunciados em 98. Segundo o advogado da família das vítimas, Aparecido Martins, até agora a Justiça apenas interrogou os acusados. Há dois anos, o processo aguarda a designação de audiência para a oitiva das 20 testemunhas de acusação. Atualmente, Milton mora em Curitiba e Roque, no Paraguai. Devido às férias forenses, juízes e promotores estão viajando e não há previsão de quando a audiência será marcada.
Também foram denunciados pelo crime os policiais civis Luiz Siqueira da Costa, 43, e Ivan Henrique Azevedo, 33, ambos de Mato Grosso do Sul e o mecânico Ednaldo Rocha Alves, 37, de Cuiabá (MT). Ednaldo e Ivan seriam os dois pistoleiros contratados para matar Quinto. Segundo a denúncia dos promotores Robertson Fonseca de Azevedo e Laércio Januário de Almeida, Ivan atirou em Quinto, enquanto os tiros que mataram Celso foram disparados por Ednaldo. Ambos teriam sido contratados pelo policial Luiz Siqueira da Costa a pedido de Roque.


