Norberto Florindo Szlachta, solteiro, londrinense com 25 anos, era técnico em eletrônica e microempresário no ramo de assistência, compra e venda de computadores. Na tarde da última quarta-feira (23), ele embarcou esperançoso para Curitiba. Estava sendo transferido da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) para a Colônia Agrícola Penal de Piraquara - na região metropolitana da capital -, onde cumpriria em regime semi-aberto pelo menos 1/6 da pena de cinco anos e cinco meses de prisão. Ele foi condenado por interceptação de objetos roubados. Na manhã de quinta-feira, ele foi morto por estrangulamento em uma cela do Centro de Triagem da Polícia Civil (CTPC) de Curitiba, pelo preso Vanderlei Botelho de Alencar.
A família de Norberto não se conforma com as circunstâncias em que ele foi assassinado, e afirma que vai processar o Estado do Paraná por responsabilidade e em busca de indenização econômica. ‘‘O que aconteceu com o meu irmão foi um absurdo. Ele, que estava para cumprir pena em regime semi-aberto, foi colocado junto com um tarado violento, que já matou outras pessoas, criminoso condenado a mais de 200 anos de prisão. Isso foi uma irresponsabilidade da polícia e, portanto, do Estado’’, acusa Adalberto Silvestre Szlachta.
Norberto e Vanderlei Alencar foram levados da PEL para Curitiba pela mesma escolta da Polícia Civil. Vanderlei estava sendo transferido para Patrocínio (MG), onde respondia por crimes de estupro e homicídio. Ele já foi condenado por cinco mortes, com penas que somam perto de 80 anos de prisão. Segundo o responsável pelo setor de remoções do CTPC, Amilton Chagas, Vanderlei matou Norberto por asfixia utilizando um pedaço de tecido rasgado da blusa da própria vítima. ‘‘Foi tudo muito rápido. Quando os outros dois presos da mesma cela gritaram por socorro era tarde. O carcereiro chegou depressa, mas o Norberto já estava morto’’, comenta Chagas.
De acordo com ele, em depoimento Vanderlei Alencar declarou que a briga com Norberto foi motivada por uma rixa antiga, iniciada durante o convívio na PEL. Chagas explica que os dois presos - com antecedentes e penas tão diferentes - não estavam em celas separadas por falta de espaço no Centro de Triagem:‘‘Não temos, aqui, uma cela para cada preso. Além do mais, a escolta com os presos chegou às 4 horas, e a separação, triagem e encaminhamento deles aconteceriam durante o dia. Infelizmente, Norberto foi morto antes disso.’’
Antonio Domingos Borges, cunhado de Norberto, não aceita esta versão passada pelo assassino à polícia. ‘‘O que houve foi uma tentativa de estupro por parte de Vanderlei, um criminoso muito violento e perigoso. Como meu cunhado reagiu, foi agredido e morto. É um absurdo que isto tenha ocorrido dentro de uma delegacia, local que existe para prender os bandidos e dar segurança à população’’, diz Borges. ‘‘Se o Estado não tem delegacias e presídios adequados, não deveria ter prendido o Norberto. O que fizeram foi levá-lo para ser assassinado em Curitiba por um criminoso que deveria estar em uma penitenciária de segurança máxima.’’

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