Família de desempregado
aposta tudo na emigração
Osmani Costa

Josoé de Carvalho
Fé no JapãoFoganholi e Elizabeth com a documentação da família: desejo de irnbsp;São sete pessoas e uma idéia fixa há seis meses: encontrar empregos e mudar para o Japão. A família do ex-representante comercial José Foganholi Filho, 45 anos, está com toda a documentação preparada, com os vistos de entrada do consulado nos passaportes, e não vê o dia de tomar um avião em Londrina, voar cerca de 24 horas e aterrissar em solo japonês.
‘‘Vamos para trabalhar muito e sair da situação absurda que vivemos aqui’’, diz Foganholi, que por mais de 20 anos trabalhou em grandes empresas e não se conforma em estar desempregado há mais de dois anos. ‘‘É muito triste não servir mais para o mercado por ser considerado velho, agora que estou na minha maturidade, na minha melhor fase produtiva, depois do acúmulo de grandes experiências profissionais.’’
Junto com ele, aguardam ansiosos pelo embarque a mulher Elizabeth Keiko Narimatsu, 42 anos, e os três filhos: Fabrício, 20 anos (e esposa), Micheli, 18 anos (e marido), e Gustavo, 14 anos. Para seguir viagem, estão deixando o emprego Elizabeth Keiko (artista plástica e professora) e Fabrício (mecânico de automóveis).
Foganholi conta que a idéia da partida para o Japão é antiga, mas ganhou força definitiva no final do ano passado. ‘‘Aqui, não dá para continuar. Não há perspectiva de emprego para quem chega à meia-idade. Já mandei currículos e fiz entrevistas em dezenas de empresas, mas o emprego nunca aparece’’, reclama o ex-representante comercial. ‘‘Não há nada mais triste do que acordar de manhã, colocar a roupa e não ter para onde ir. Não ter um trabalho para realizar. É uma situação humilhante e absurda, até porque posso produzir bem ainda por muito tempo.’’
Elizabeth Keiko nunca foi ao Japão, mas tem três irmãos - de um total de dez - e outros 11 parentes morando e trabalhando naquele país. ‘‘Estamos abrindo mão de tudo, deixando o Brasil, familiares e amigos para trás, em troca de empregos que nos dêem uma base, um futuro melhor para nossos filhos e futuros netos.’’
A família está tentando encontrar emprego no Japão desde o início do ano, por quatro agências londrinenses. Passaportes, vistos de entrada e permanência, currículos profissionais - tudo está pronto há vários meses. ‘‘Estamos dispostos a ir para qualquer cidade, de qualquer região do Japão. O importante é que queremos encontrar emprego. Tendo trabalho garantido, a gente embarca no mesmo dia’’, afirma José Foganholi.
Segundo ele, a família pretende trabalhar no Japão alguns anos, guardar algum dinheiro, e depois voltar para montar negócios próprios no Brasil. Desde janeiro, apareceram duas ofertas de empregos, nas áreas de alimentação e construção civil. ‘‘Mas como não havia vagas para todos, resolvemos não viajar. Não temos tanta pressa, só vamos quando todos tivermos a possibilidade de trabalhar e morar na mesma cidade’’, diz Elizabeth Keiko, que é a única a dominar a língua japonesa na família.
Sergio Ricardo Asai - 20 anos, neto de japoneses - e Lilian Fermino Asai, 21 anos, também pretendem embarcar para o Japão o mais rápido possível. O casal já esteve no país. Eles trabalharam em indústrias de produtos alimentícios, de automóveis e de computadores até novembro de 97.
Sergio e Lilian vieram ao Brasil para aproveitar as festas de final de ano, as férias de verão e tirar a carteira de motorista. A viagem de volta ao Japão estava programada para o começo de abril. O retorno não aconteceu porque houve a crise asiática e o aumento do desemprego japonês. ‘‘Estamos procurando colocação no mercado por agências londrinenses e por um irmão que tenho trabalhando no Japão. Mas não está fácil encontrar emprego para nós dois na mesma cidade’’, conta Sergio Asai.
Segundo ele, a dificuldade maior é que atualmente estão dando muita importância para o domínio da língua japonesa. ‘‘É muito difícil aprender o japonês. Nós só sabemos o mínimo para sobreviver. Daí, com esta crise e na hora de concorrer com os filipinos, coreanos e chineses, nós levamos desvantagem’’, comenta Lilian Fermino, que possui o 1º grau de escolaridade.
Os dois se dizem satisfeitos com a primeira experiência no Japão. ‘‘Trabalhamos bastante, conseguimos uma boa experiência profissional, foi muito bom. A pior parte é a saudade dos amigos e familiares, mas como a crise econômica e o desemprego daqui são permanentes, ir para o Japão continua sendo uma das poucas saídas que temos’’, avalia Sergio Asai, que estudou até o 2º ano do 2º grau.
O irmão de Sergio Asai, que vive no Japão, envia más notícias do país: o desemprego está crescendo, as horas-extras foram cortadas e os salários estão baixando. Mesmo assim, Sergio está confiante: ‘‘A crise deve passar logo. A economia do Japão é muito forte. Nossa esperança é estar lá novamente em pouco tempo.’’

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