Família de Cardeal contesta polícia
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de janeiro de 1997
Da Redação 
Familiares de Ricardo Muniz Palhano, 25 anos, conhecido como Cardeal, estão revoltados com as denúncias da Polícia Civil de que ele seja assaltante de banco. Os delegados adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Vanderci Corral Fernandes, e operacional, Acácio Azevedo, disseram que Cardeal foi reconhecido por testemunhas como o ladrão que assaltou o banco Bamerindus da avenida Bandeirantes (área central) e que teria também participado, anteontem à tarde, do roubo ocorrido no posto do Banestado, localizado na rua Serra da Graciosa (zona oeste).
A mãe do acusado, Cecília Francisca Palhano, disse ontem à Folha que não quer salvar a pele do filho, mas garante que ele está fora de Londrina há mais de um ano. Cardeal tem uma vasta ficha criminal como arrombador e está condenado a cinco anos de prisão por furto pela Comarca de Jaguapitã.
Ele (Cardeal) não é santo, mas posso jurar que nunca roubou bancos. Sou uma pessoa honesta e se meu filho tivesse praticado assaltos jamais viria aqui (na 10ª SDP) para defendê-lo, afirmou a mãe.
Cardeal é
acusado de
assaltar o
Banestado
Ela quer que as pessoas que denunciaram o seu filho olhem uma fotografia recente. Cecília Francisca alega que a foto que o filho foi reconhecido no álbum da polícia é antiga e deixa muito a desejar quanto à qualidade da imagem.
A cunhada de Cardeal, Rosana Palhano, esteve acompanhando a sogra e se mostrava mais revoltada com a polícia. Ela afirmou que o acusado está sendo usado como bode expiatório da polícia, que não tem capacidade de descobrir quem são os verdadeiros assaltantes dos dois bancos. Rosana enfatizou que o cunhado tem uma família e não é justo estar sendo acusado por crime que não cometeu.
As duas mulheres estavam acompanhadas pelo advogado criminalista Luis Tavenaro Gaya. Ele pediu que registrasse na reportagem o que iria dizer, pois seria uma forma de desabafo e denúncia. É uma temeridade acusar publicamente alguém sem que exista provas contundentes e inequívocas de culpa. Gaya afirmou que as testemunhas fizeram o reconhecimento de Cardeal por semelhança, sem nenhuma convicção que seja ele.
Na próxima quarta-feira à tarde, as testemunhas farão novo reconhecimento, usando uma foto recente de Cardeal. O pedido foi feito pelo advogado Luis Gaya e acatado pelo delegado Vanderci. Caso ele não seja indentificado pela foto, os familiares não descartam a possibilidade de acionar o Estado por danos morais.


