Familiares do jogador de futebol Rafael Bezerra da Silva, 20 anos, pretendem questionar na Justiça a Polícia Militar (PM). Silva foi baleado na madrugada de segunda-feira por uma equipe da Rone e está internado em estado grave na UTI do Hospital Universitário.
Segundo a versão da PM, o rapaz estava em um mocó no conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste), onde estaria escondido um assaltante. Ainda segundo a PM, o rapaz teria reagido à ação policial. A vítima levou pelo menos oito tiros de armamento pesado, fuzil e pistola .40.
No local foi preso Edivaldo da Silva, 21 anos, que juntamente com Thiarles Fernandes da Silva, 18 anos, teriam roubado um Celta horas antes. O mocó teria sido denunciado por Thiarles.
O pai da vítima, José Carlos da Silva, 47 anos, contesta a versão da polícia. ''Meu filho é jogador de futebol em Portugal, ele estava com passagem marcada para voltar, jamais se envolveria em um crime''. Ele argumenta que o local abrigava uma festa e que testemunhas afirmam que não houve reação. Tanto a vítima do roubo como os assaltantes não reconheceram Rafael.
''Quero limpar o nome do meu filho, esses policiais são assassinos fardados, meu filho levou tiros de fuzil, que servem para matar um elefante'', desabafa. Segundo ele, se sobreviver, o filho não poderá voltar a jogar futebol.
O advogado da família, Homero da Rocha, também questiona a ação. ''Estamos pedindo laudos periciais e juntando provas testemunhais''. O delegado Jorge Barbosa assumiu ontem o inquérito e diz que vai ouvir novamente os assaltantes e checar o local do crime. ''Há discrepâncias nessa história''. O capitão Altivir Cieslak, que está no comando interino do 5º Batalhão de Polícia Militar, afirmou que foi aberto um inquérito policial militar (IPM). ''Quem vai dizer se ouve erro ou não é a Justiça''.

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