Família culpa policiais por morte de adolescente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá Uma família de Maringá culpa policiais militares pela morte do adolescente Ederson Del Vecchio Silvério, 16 anos. Ederson foi morto no final da tarde de anteontem, em um córrego do Parque das Laranjeiras, zona norte da cidade, em uma suposta troca de tiros com a Polícia Militar (PM), de acordo com a corporação. Dois tiros atingiram o coração e o abdome do jovem. A família contesta a versão e diz que o adolescente já havia se desfeito do revólver quando foi atingido pelos policiais.
Conforme a ocorrência registrada pela PM, a polícia foi chamada ao bairro porque Ederson estaria disparando tiros no local, motivado por uma discussão entre o amigo R.S.S. e uma outra pessoa identificada apenas como Daniel. R. teria sido acusado por Daniel pelo furto de um capacete de moto. Segundo a PM, Ederson buscou uma arma junto com R., que também teria um outro revólver, para tentar intimidar Daniel. Na abordagem da PM, Ederson teria reagido, disparado contra os policiais e, quando fugiu por um matagal do córrego, foi atingido com os dois tiros.
Para o tio de Ederson, o empresário Edson Camargo, a família não tem dúvidas de que o adolescente foi ''assassinado''. Camargo disse que pessoas que acompanharam a operação policial viram quando o adolescente dispensou a arma antes de fugir da polícia. ''O Ederson ficou acuado pois tinham umas quatro viaturas da PM e, no desespero, resolveu fugir, mas mesmo assim foi morto'', disse o empresário.
O comando do 4º Batalhão da Polícia Militar abriu um inquérito para apurar as circunstâncias que resultaram na morte do adolescente. A polícia adiantou, no entanto, que a princípio os policiais estavam ''no estrito cumprimento do dever legal'' e que foram surpreendidos na mata por tiros disparados pelo adolescente. A família também contestou a informação da polícia de que Ederson já tinha passagens. ''O meu sobrinho não foi fichado pela polícia, ele se envolveu em uma briga de adolescentes, mas não foi o culpado pela situação'', disse o tio. ''O Ederson trabalhava, estudava e morava no bairro há mais de oito anos e Deus vai mostrar a verdade desta história'', acrescentou Camargo.


