Família culpa empresa por morte de ex-funcionário
Paulo WolfgangAcusaçãoNilza: intoxicação com chumbo teria causado a morte do genroPelo menos um caso grave de intoxicação por chumbo pode ter ocorrido na região de Tamarana. A família do operador de empilhadeira João Machado Rodrigues, 37 anos, falecido em março do ano passado, afirma que ele deixou a Tamarana Metais porque estava muito doente. Ele só aturou três meses, depois que deixou de trabalhar lá, disse Nilza da Silva de Oliveira, sogra de Rodrigues. Nilza mora com a família há cinco anos no Parque das Indústrias, em uma área conhecida como Horta, e cuida da filha de seis anos de Rodrigues. Minha filha, mulher dele, está trabalhando em Curitiba há três meses, contou.
Segundo Nilza, Rodrigues trabalhou por três anos na empresa, sendo que apenas dois com registro em carteira. Ela afirma que o genro se queixava muito de dores de cabeça e tinha tonturas e naúseas frequentemente. Tinha dia que ele punha as mãos na cabeça, chorava e gritava de dor, disse. Depois que deixou a empresa, por conta própria, porque a empresa nunca ia mandar ele embora, Nilza contou que o genro e a filha mudaram para Paranacity. Lá, o médico disse que a doença dele era por causa do chumbo, que o chumbo estava entupindo a veia da cabeça, contou.
O médico teria recomendado a Rodrigues que procurasse um especialista. Mas ele não tinha dinheiro. Como estava piorando, vieram de novo para cá, disse Nilza. Segundo ela, a filha tem todos os atestados do médico de Paranacity. O atestado de óbito, emitido pelo Hospital Universitário de Londrina, indica a causa da morte de Rodrigues como acidente vascular cerebral hemorrágico e broncopneumonia.
Para Nilza, alguma coisa está vazando, na empresa. Ontem (anteontem), o cheiro da água estava terrível, explicou, dizendo que pega a água para beber, cozinhar e lavar, em um poço próximo. (T.E)





