Familiares do garoto José Osvaldo Schietti, que está enterrado no Cemitério São Pedro (no centro de Londrina) e é considerado milagreiro, procuraram a Folha ontem para contar sua verdadeira história e esclarecer as circunstâncias em que o menino morreu, em 1950. José Luiz e Tiago Schietti, respectivamente tio e sobrinho de José Osvaldo, reclamam que todos os anos, no Dia de Finados, são divulgadas histórias distorcidas sobre a morte do parente.
A versão mais conhecida é que ele teria morrido aos nove anos, atropelado em frente à Catedral no dia em faria a primeira comunhão. Este ano, uma das histórias veiculadas dizia ainda que José Osvaldo foi atropelado pelo próprio pai, o empresário José Schietti, atualmente com 81 anos. ‘‘Isto deixou meu avô muito triste, por isso resolvemos esclarecer o que aconteceu’’, disse Tiago. Segundo ele, o tio morreu aos oito anos e meio, uma semana antes da data marcada para a sua primeira comunhão.
José Osvaldo viajava junto com os pais, uma irmã de colo e mais três famílias, que ocupavam dois veículos e seguiam para Mandaguari (33 quilômetros a leste de Maringá), onde iriam visitar amigos. Com a poeira da estrada, um dos carros acabou batendo na traseira do outro e capotou. O pai do garoto não estava na direção de nenhum dos veículos. Com o impacto, José Osvaldo foi arremessado para fora e bateu a cabeça, sofrendo fratura craniana. No caminho de volta a Londrina, onde a família pretendia levá-lo para o hospital, o menino morreu, no colo do pai.
A crença em seus milagres intensificaram-se quando brotou um veio de água de seu túmulo, anos atrás. José Luiz Schietti contou que a família mandou reformar o jazigo, vedando-o. Mesmo assim, a água, considerada benta por muitos, continuou a escorrer. Os familiares resolveram então refazer todo o túmulo, calafetando-o da melhor maneira possível, e só aí cessou o vazamento. Até hoje, porém, o local é muito visitado por pessoas que acreditam ter alcançado graças por intermédio de José Osvaldo.

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