Família comemora 70 anos de chegada na Warta
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domingo, 27 de junho de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
União. Essa é a palavra que poderia resumir a história da família Cebulski, uma das pioneiras do distrito da Warta, na Zona Norte de Londrina. Na manhã de ontem, mais de 50 pessoas do clã se reuniram na igreja do distrito para comemorar os 70 anos da chegada do casal Eduardo e Joanna Cebulski e seus sete filhos, Josefa, Vanda, Leonardo, Antônio, Irene, Ellena e Conrado, ao Norte do Paraná. ''Estou muito feliz, sinto em cada um o valor da família'', disse a professora Sônia Cebulski, de 56 anos, que é neta dos pioneiros.
Durante a cerimônia, a família de origem polonesa comemorou a data sob os olhares de Nossa Senhora de Czestochova, padroeira da Polônia, e com orações rezadas na língua natal dos pioneiros. Depois os descendentes foram até o cemitério do distrito para levar flores para o casal Eduardo e Joanna, falecidos em 1970 e 1995, respectivamente. Um grande almoço encerraria as comemorações da família.
No Brasil, os Cebulski fixaram-se incialmente no estado de Santa Catarina. Somente em 1934, resolveram tentar a vida no Paraná, onde chegaram na data de 28 de junho daquele ano. ''Me lembro que a viagem durou uns 15 dias e foi muito difícil, porque não tinha trem até aqui'', recordou um dos filhos do casal, Antônio, hoje com 78 anos. ''Ficamos dois dias parados em Jacarezinho esperando o rio baixar para podermos atravessar de balsa. Quando chegamos aqui o que mais estranhamos foi o sertão. Era muito mato e bicho'', contou Antônio.
Lembranças também não faltam ao irmão Conrado, de 72 anos. ''Quando eu comecei a estudar não sabia falar português e não entendia nada. Uma vez cheguei a dizer que um colega estava me ofendendo porque ele só falava português'', relembrou Conrado, que deixou o distrito para estudar Farmácia e Bioquímica em Curitiba. O caçula Mário, hoje com 68 anos, nasceu na Warta e foi uma das primeiras crianças a serem batizadas na igreja que os pais ajudaram a construir.
Além da igreja, os Cebulski foram um dos grandes incentivadores da Educação no distrito, tanto que por muitos anos o colégio da comunidade levou o nome do pioneiro Eduardo. ''Eu vi muita madeira ser cortada na mão para construir esta escola'', disse Conrado. Hoje, a família cresceu e está espalhada. ''Tem gente em Umuarama, Faxinal, em Santa Catarina e até nos Estados Unidos'', disse a professora Sônia. Conrado calcula que mais de 100 pessoas integram o clã.
E apesar da origem polonesa, a família já adquiriu várias características brasileiras, como a miscigenação. ''Tem desde japonês, italiano a índio'', revelou Sônia. E quem se agrega a família não tem do que reclamar. ''Acho muito bonito essa união deles, eles fazem festa para tudo. Na minha família não era assim, a gente só se reunia no Natal'', contou o vendedor Jaime Roberto Livino, de 32 anos, casado com uma das filhas de Mário e pai da pequena Isabele, de 10 anos, uma das mais jovens descendentes dos pioneiros.


