Família cai no 'golpe' da moradia
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Depois de ser demitida junto com o esposo da chácara onde trabalhava, Lorena Alves Siqueira se viu sem ter para onde ir e como se sustentar. Como centenas de outras famílias nessa situação, a única opção que restou ao casal foi catar material reciclável para sobreviver. Preocupados com a questão da moradia, eles resolveram usar todo o dinheiro da rescisão contratual - R$ 800,00 - para comprar um terreno no Jardim Monte Cristo (Zona Leste). A esperança da casa própria não durou muito. Lorena logo descobriu que ela e o marido foram vítimas de um velho 'golpe' que ainda causa prejuízo para muita gente.
Além de comprar um terreno que não pode ser comercializado, uma vez que a área é de assentamento em processo de regularização, a catadora ainda recebeu a promessa que ganharia um kit de material de construção para ajudar a levantar a sua casa.
''De repente chegou uma moça da Cohab (Companhia Municipal de Habitação) e falou que a gente não podia ficar aqui e ainda corria o risco de perder o terreno'', afirma. Depois da confirmação que a área era irregular, a antiga ''proprietária'' da área sumiu.
Orientada por vizinhos, Lorena aumentou o barraco que tinha começado a construir. A moradia é precária, coberta de lona doada por vizinhos, cheia de falhas nas paredes e sem banheiro. O casal agora conta com ajuda dos outros moradores para tomar banho e lavar roupas. Ontem, uma cesta básica doada por uma congregação evangélica foi o que salvou a família de passar fome.
''Isso é muita injustiça. Eu e meu marido passamos o dia inteiro catando papel, gasto R$ 95 reais para uma babá cuidar do meu bebê, quase nem vejo meus filhos e a Cohab não podem me doar 2 mil tijolos?'', desabafa.
Segundo o diretor técnico da Cohab, Rosalmir Moreira, apesar da compra irregular a família não perderá o terreno. Contudo, a doação de material de construção está descartada.
''Temos 48 famílias cadastradas para receber esse material que são pessoas que tiveram que ser retiradas das casas quando abrimos ruas no bairro. Entendemos que se essa senhora vendeu não precisa mais, assim o benefício é repassado para as famílias carentes do bairro que estão cadastradas há mais tempo'', afirma. Ele admite que esse tipo de problema ocorre com frequência e alerta a população para não comprar terrenos ou casas incluídas em programas da Cohab sem antes verificar a real situação do imóvel no órgão. Quem quiser auxiliar a família de Lorena pode obter maiores informações no telefone 9913 1501.


