Família busca indenização por morte de recém-nascido
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quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Três anos atrás, um surto de contaminação bacteriana interditou as unidades de terapia intensiva (UTIs) neonatais do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A situação trouxe problemas e sofrimento para as mães que tiveram filhos prematuramente. Mas nenhum caso foi tão dramático quanto o da costureira Vanda Lúcia de Freitas Bueno, de 46 anos.
Foi no dia 10 de novembro de 2004 que Vanda Lúcia deu entrada no hospital com pré-eclâmpsia. Grávida de gêmeos, ela foi informada que a cesariana não poderia ser feita por tratar-se de uma gravidez de alto risco e por não haver vaga na UTI Neonatal do HU.
Após dias internada, foi constatado que um dos bebês havia morrido. Mesmo assim, teve de aguardar uma semana para passar por cirurgia, o que só ocorreu depois da transferência para o Hospital Santa Helena, em Apucarana. A outra criança, Paola, precisou ficar internada por 50 dias na UTI Neonatal e completou três anos na semana passada.
Mesmo depois de três anos da instauração do inquérito policial, o caso ainda está em trâmite no Fórum de Apucarana. Como o Código Civil prevê que o prazo para reclamações terminaria na semana passada, o advogado da família, Alex Adamczik, ingressou com uma ação de indenização contra o Estado do Paraná e o Hospital Universitário. O valor sugerido é de R$ 221 mil, além de uma pensão para Paola.
De acordo com o advogado, a tese sustentada pela defesa é que se a cesariana tivesse sido feita, a morte da criança poderia ter sido evitada. E a responsabilidade para isso era da administração do hospital.
O resultado é que a mãe ficou com a criança morta no ventre durante uma semana. No momento da retirada, foi constatado que o feto estava em alto grau de decomposição.
Emocionado, o marido de Vanda Lúcia, Roque Cleto Bueno, 55, lembra da agonia da espera pela cirurgia. ''Ela ficou muito tempo com a criança morta no ventre. Foram sete dias de terrorismo. O hospital tinha que ter tomado uma decisão mais rápida'', afirmou. O pai declarou ainda que, se a indenização for paga, o dinheiro será usado nos estudos de Paola.
A reportagem levantou a informação de que o inquérito foi encaminhado da delegacia para o Fórum de Apucarana, mas não obteve mais detalhes sobre o andamento do processo.
''O cerne da ação é que não foram respeitados os direitos à vida e à saúde. Trabalhamos com a presunção de que a outra criança também teria sobrevivido se não tivesse ocorrido negligência do hospital'', destaca o advogado.
O juiz da 5 Vara Cível de Londrina, Alberto Júnior Veloso, determinou a citação dos réus da ação, que têm 60 dias para apresentar contestação.
Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Universitário, a direção da instituição não foi notificada da ação.


