Família autoriza doação de órgãos
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A perda de um parente querido é sempre muito triste. A notícia do falecimento é acompanhada por luto e dor de familiares e amigos. Em alguns casos é possível fazer a doação de órgãos da pessoa, mas muitas famílias, por desconhecimento ou opção, decidem não fazê-lo.
Alessandro Malanche Turques, 35 anos, faleceu na madrugada do último domingo, na Santa Casa de Londrina, onde estava internado desde o dia 7 de setembro, quando foi atropelado na PR-445, entre a Warta e a cidade de Bela Vista do Paraíso (Norte). Turques teve uma parada cardíaca e a família autorizou a doação dos órgãos.
As válvulas cardíacas de Alessandro foram encaminhadas para o Banco de Válvulas da Santa Casa de Curitiba e as córneas foram enviadas para o Banco de Olhos do Hospital Universitário de Londrina. Ambos tecidos vão permitir que as pessoas que estão na fila de espera tenham mais qualidade de vida.
De acordo com Ogle Bacchi, da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos de Londrina, grande parte da fila de espera por uma válvula cardíaca é formada por crianças. ''A válvula faz muita diferença no desenvolvimento do coração e da criança. Circulação é vida'', disse.
Ogle afirmou que em Londrina 104 pessoas estão na fila de espera por uma córnea, 434 esperam um rim, além de oito que aguardam um coração. Além destes três transplantes, em Londrina também é realizado o procedimento de transplante de medula óssea.
De acordo com Ogle, ainda falta muita informação sobre o assunto. ''Quando o paciente está em parada cardio-respiratória, em que os sinais de morte são mais evidentes, é mais fácil a família autorizar o transplante. Porém, quando o caso é de morte encefálica é mais dificil'', explicou.
Mitos
Ela disse que ainda existem muitos mitos em torno da doação de órgãos. ''A grande desinformação é sobre a morte encefálica, mas muita gente tem medo de não ser salva por ser doadora. Isso é um absurdo. É contraditorio porque nós trabalhamos pela vida. Como vamos deixar uma pessoa morrer para ser doador?'', questionou. Ogle afirmou a lei brasileira determina que os médicos que fazem o diagnóstico de morte encefálica não podem fazer parte da equipe de transplantes.
Ogle ressaltou que a decisão de ser ou não um doador de órgãos deve ser manifestada em vida pelas pessoas. ''É importante que as pessoas pensem e decidam sobre isso antes de chegar a hora. É um momento muito dramático, muitas famílias doam por que a pessoa já havia falado sobre isso anteriormente. A manifestação em vida ajuda muito o familiar a decidir'', afirmou.
Para ela, a atitude da família de Turques deveria ser repetida por outras famílias. ''Quem morre não continua na vida do outro, mas a pulsação de vida continua. É como numa corrida de bastão, chega a hora que temos que passar o bastão para outra pessoa'', explicou.
''Mesmo na perda as famílias ficam consoladas porque estão abençoando a vida de outra pessoa. A maior vitória é, num momento difícil, ser capaz de dar vida para alguém que a família nunca viu. Uma pessoa faleceu mas o bastão foi entregue e alguém que vai continuar esta corrida. É uma questão de solidariedade, de dar a oportunidade para outros continuarem'', finalizou Ogle.


