Cinco pacientes serão beneficiados com a doação dos órgãos da balconista desempregada Rosana Heloísa da Silva, 40 anos, moradora da Vila Santa Terezinha (Zona Leste de Londrina), que morreu de acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico e aneurisma cerebral no último domingo, no Hospital Universitário (HU). De acordo com a Central de Transplantes, três doações múltiplas foram registradas apenas neste fim de semana na região.
A decisão da família de Rosana foi unânime. Menos de 24 horas depois de ter sido confirmada a morte encefálica, a resposta foi positiva. As filhas Adrielle, 23, Aline, 18, Alessandra, 16, e Andreyla, 13, explicaram que a mãe sempre achou que a doação de órgãos é um ''gesto bonito.'' ''Ela nunca falou claramente que queria ser uma doadora, mas a nossa mãe sempre gostou de ajudar o próximo e o fato de ajudar os outros também nos conforta'', afirmou Aline.
A morte pegou toda a família de surpresa. Rosana tinha dores de cabeça constantes, mas cuidava do problema com analgésicos. O internamento foi em 1º de novembro e seis dias depois ela passou por uma cirurgia para fazer a drenagem da hemorragia e reduzir a pressão intracraniana. Ela foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e parmaneceu em coma até a morte encefálica ser constatada anteontem.
Segundo o marido, Edvaldo Alves dos Santos, 43, a companheira destacava-se pela tranquilidade e pela disposição de ajudar a todos. ''Ela tinha feito vários exames, mas é difícil constatar o aneurisma. A gente achou melhor fazer a doação porque sabemos que é isto que ela iria preferir'', comentou Santos, que vivia com Rosana há dois anos.
A doação de órgão segue obrigatoriamente um protocolo, que tem início quando é constatada a possibilidade de morte encefálica. Quando isso ocorre, o contato com os familiares é feito o mais rápido possível. O protocolo determina ainda a notificação das centrais de transplantes.
''Não pressionamos ou induzimos a família a tomar uma decisão enquanto têm de lidar com a angústia da perda'', esclareceu o enfermeiro Hélio Figueiredo, coordenador da comissão intra-hospitalar de transplantes do Hospital Universitário.
Com a decisão tomada, os responsáveis assinam um termo de autorização. Segundo Figueiredo, Rosana reunia as características necessárias para ser uma potencial doadora, como o tipo sanguíneo e as condições de saúde.
De acordo com a coordenadora da regional de Londrina da Central de Transplantes, Evanira Chiquetti, foi possível o aproveitamento das córneas, rins e fígado. A família havia autorizado a doação completa, mas não foi possível fazer toda a captação. Ela explicou que o tempo transcorrido desde a cirurgia impossibilitou a realização de outros transplantes.
''É uma decisão muito difícil, mas colocamos na mão de Deus. Apoiamos a doação também porque pode acontecer da gente precisar'', finalizou a filha Aline.

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