Família Andreis acredita na punição de criminosos
Familiares de Quinto e Celso Andreis, pai e filho, assassinados a tiros por pistoleiros em Guaíra (na fronteira com o Paraguai) no dia 10 de julho de 1996, ainda têm a esperança de que os autores e mandantes sejam punidos. O único preso é Jolcimar Luiz Pes, 28 anos, o Gilsão, acusado de ter transportado os pistoleiros em um barco para executar a ação e depois na fuga para o Paraguai, através do Rio Paraná. Gilsão será julgado dia 14 de agosto. Outros indiciados no inquérito policial não foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público.
Quinto e Celso Andreis, respectivamente com 60 e 34 anos quando foram mortos, eram sócios-diretores da empresa Mineração Floresta - transporte fluvial e extração de areia. Na época, a empresa travava acirrada disputa com a concorrente F. Andreis, criada por Fioravante, irmão de Quinto. O diretor da F. Andreis é Milton Andreis, 37 anos, que chegou a ser indiciado no inquérito policial, assim como o comerciante Roque da Silveira, 34, filho dos ex-prefeitos Osvaldino da Silveira e Ada da Silveira, e Cláudio Batschke, 47 anos, dono de uma revenda de motocicletas. A promotoria concluiu que faltaram provas para denunciá-los.
No inquérito sobre os crimes, o delegado Edu Furtado Filho, do Centro de Operações Policiais Especiais da Polícia Civil, considerou a possibilidade de que Quinto e Celso estivessem afetando interesses da F. Andreis no rendoso transporte fluvial (encerrado com a inauguração da ponte sobre o Rio Paraná, em janeiro).
Segundo o delegado, Gilsão recebeu dinheiro de um preposto de Roque para transportar dois pistoleiros pelo rio, de onde seguiram para a casa de Quinto e Celso em uma motocicleta, chamando-os para fora e executando-os. O único preso afirmou que havia sido contratado pelos dois (que não conhecia), para mostrar-lhes a cidade e posteriormente levá-los para a margem paraguaia. Só então ele tomou conhecimento dos crimes.
Milton e Roque sempre negaram qualquer envolvimento. A passagem do segundo ano das mortes foi lembrada em uma nota, expedida da Mineração Floresta, mas sem assinatura, na qual é observado que a morosidade na solução do duplo homicídio causa constrangimento à Secretaria de Segurança Pública, porque não se pode aceitar que os assassinos continuem livres.Edson MazzettoGilsão, o único
preso, é acusado
de transportar
os pistoleirosPaulo Pegoraro





