‘‘Primeiro, perco a minha filha mais velha em um acidente, em Curitiba. Agora, morre a minha caçula’’. O desabafo é da lavradora aposentada Maria Ferreira da Silva. Ela mora em Londrina e é mãe da estudante Elisângela Francisco da Silva, 21 anos, encontrada morta na semana passada, no Parque do Estado, em São Paulo. A estudante é uma das possíveis vítimas do ‘‘maníaco do parque’’, que assassinou oito mulheres na capital paulista. A polícia suspeita que o maníaco sexual seja o motoboy Francisco de Assis Pereira, que está foragido (veja texo nesta página).
Elisângela teria frequentado uma pista de patinação no Shopping Center Eldorado, no bairro Pinheiros, em São Paulo, local que o acusado também frequentava. Ela desapareceu no dia 9 de maio. Desde aquela ocasião, a mãe de Elisângela diz que não come e não dorme direito. ‘‘Desde que ela sumiu, sempre imaginei o pior e rezava todos os dias’’, diz a mãe.
Maria e o marido, o também lavrador aposentado Serafim Francisco da Silva, moram em um barraco no assentamento conhecido como Morro da Formiga (zona norte). Quando soube da morte da filha, na sexta-feira, ela teve de ser internada e agora está morando na casa de parentes, no Parque Ouro Verde (zona norte).
Dorico da Silva‘Desde que ela desapareceu, imaginei o pior e rezava todos os dias. Perdi a mais velha e, agora, a caçula’
Maria Ferreira da Silva, mãe da estudanteA lavradora lembra que viu a filha pela última vez há mais de um ano. ‘‘Ela veio nos visitar, trouxe alguns presentes e disse que estava feliz’’, relata. Segundo Maria, a filha pretendia passar o Dia das Mães em Londrina, mas desapareceu um dia antes da viagem. ‘‘Ela queria me fazer uma surpresa’’, afirma.
Elisângela iria completar 22 anos em setembro e morava em São Paulo há mais de dois anos. O pai revela que foi contra a mudança. ‘‘Eu não queria que ela fosse porque lá é muito agitado e podia acontecer algo de ruim com ela’’, explica. ‘‘Mas aqui ela não queria ficar, acho que é porque não tem conforto nenhum’’, acrescenta a mãe.
A vítima morava na casa de uma tia, estudava e cuidava dos afazeres domésticos. Segundo o pai, ela estava namorando e pretendia se casar. ‘‘Uns 15 dias antes de sumir, ela me telefonou dizendo que ia vir a Londrina para apresentar o namorado’’, relata.
Parentes afirmam que ela não tinha pretensão de se tornar modelo, mas dizem que ela era bonita e chamava atenção. Ela era morena, alta e tinha cabelos ondulados e compridos. ‘‘Ela era uma menina muito simples, sem maldade nenhuma’’, afirma a aposentada.
Serafim conta que chegou a viajar para São Paulo e Montes Claros (MG), onde moram parentes, para tentar encontrar a filha. ‘‘Achava que ela tinha fugido ou estava se escondendo por algum motivo’’, diz. ‘‘Sempre tive esperança de encontrá-la viva’’. Para fazer as viagens, ele contou com a ajuda de familiares, já que o pouco que ganha como aposentado gasta com medicamentos.
Serafim e Maria tiveram oito filhos. A mais velha, Zélia, morreu em 1992, em Curitiba, durante um vendaval. Outros cinco filhos, casados, moram em MG. Até ontem, a família não sabia como trazer o corpo de Elisângela para Londrina. ‘‘Gostaria que, pelo menos, a minha filha fosse enterrada aqui, onde já estão os parentes’’, afirma. O corpo deve ser liberado hoje pelo IML de São Paulo.Dorico da Silva‘Não queria que ela fosse para São Paulo porque lá é muito agitado e podia acontecer algo de ruim’
Serafim Francisco da Silva, pai de ElisângelaLucilia Okamura

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