Família acusa PS de negligência médica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de abril de 1998
Marccio W. Varella 
Marcos NegriniQueixaA mãe Sílvia, o pai Mauro e a mulher de Jair, Sandra: Ele nunca teve problemas médicos Uma família de Sarandi (7 km a leste de Maringá) registrou queixa na Polícia Civil e pediu abertura de inquérito contra o Pronto-Socorro Municipal por negligência no atendimento de um paciente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mauro Alves da Silva e Sandra Venerando da Silva acusaram o Pronto-Socorro Municipal de não fazer o devido atendimento ao seu filho e marido, Jair Alves da Silva, 28 anos, que acabou morrendo em casa, após deixar o PS, de um infarto do miocárdio.
O pai Mauro e o filho Jair trabalhavam como mecânicos em Sarandi há 18 anos. No dia 1º de abril, Jair teve diarréia e dor no peito no trabalho, na Auto Mecânica Estradão. Seu patrão Sérgio Teleprati o levou ao PS, onde ele deu entrada às 14h30.
No Pronto-Socorro, ele foi atendido pelo médico Mauro Veiga, que lhe colocou uma sonda de soro e o deixou em observação até às 19 horas.
O médico Magid Name Neto, que substituiu Mauro no plantão, deu alta para Jair às 19 horas, a pedido da mulher dele, Sandra. Ele não apresentava nenhum tipo de problema. A dor havia passado, a diarréia já havia se interrompido. Não havia indicação para internamento. Pedi apenas que ele fizesse exames mais detalhados em Maringá. Em qualquer hospital do mundo, ele haveria recebido alta, garante o médico Magid Neme Neto.
Jair voltou para casa com a família, tomou uma sopa e sentou-se no sofá para conversar com um cunhado. De repente, ele revirou os olhos e desfaleceu. Fomos correndo com ele para o hospital, mas Jair chegou já lá morto, contou o pai.
O médico Magid disse que, durante conversa com o paciente, enquanto ele estava em observação, este lhe teria dito que já sentira esta dor antes e que fizera tomografias. Os exames, no entanto, nada revelaram de grave.
Sandra e Mauro garantem que ele nunca teve nenhum problema médico. Nunca fumou, nunca bebeu, pesava 100 quilos de músculos, nunca precisou de um médico. Para nós, foi mau atendimento, reclamou Sandra.
Segundo o atestado de óbito, Jair morreu de um infarto do miocárdio tipo fulminante. O único remédio receitado pelo Pronto-Socorro de Sarandi foi um analgésico, Dolomin em gotas. Jair deixou um filho de quatro anos.
Para Magid, 35% dos eletrocardiogramas realizados em pessoas antes de um infarto fulminante nada revelam sobre a possibilidade de um ataque cardíaco. Foi uma fatalidade. Pode acontecer a qualquer um de nós, disse. O delegado José Aparecido Jacovós vai convocar Mauro e Magid para prestarem depoimentos ainda nesta semana.


