Lúcio Flávio Moura
De Londrina
O 15º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Rolândia, e a Polícia Civil de Porecatu, devem começar a investigar esta semana um caso de violência policial cometido na Delegacia de Miraselva (61 km ao norte de Londrina).
A bóia-fria Lucimar da Silva, 24 anos, denunciou ao Ministério Público o policial militar Charles Pires, 26 anos, que teria espancado seu pai, Otavio Alexandre, 45 anos, dentro de uma cela, durante a madrugada de quarta para quinta-feira.
Pires nega a acusação. ‘‘A única coisa que fiz foi colocá-lo dentro da cela e deixá-lo à disposição do delegado’’, disse, sem querer fazer mais comentários.
Alexandre (conhecido como Tavico), que também é bóia-fria, foi preso por embriaguez na mesma noite, depois que os próprios familiares, perturbados com seus insistentes gritos, insultos e ameaça de agressão física, chamaram a polícia.
A família (mãe e cinco filhas, todas trabalhadoras rurais volantes) e vizinhos ficaram revoltados quando Tavico chegou em casa pela manhã, vomitando, reclamando de dores por todo o corpo e relatando a violência que teria sofrido.
Ele foi internado no Hospital Municipal logo depois de chegar em casa e só teve alta 48 horas depois. O médico Luis Fernando Cavalieri, que o socorreu, confirmou a existência de hematomas nas orelhas, no tórax e no abdômem, mas não soube dizer o que provocaram os ferimentos.
O Ministério Público, procurado por Lucimar na sexta-feira, pediu laudo médico para Cavalieri, que já o enviou à Delegacia de Porecatu, onde deve ser instaurado inquérito (também a pedido da promotoria). O delegado deverá pedir a realização de exame de corpo de delito em Londrina.
O Comando do 15º Batalhão da Polícia Militar garantiu à Folha que acatará o pedido da promotoria e vai abrir um inquérito administrativo para apurar se houve o abuso do policial.
José Maria Francisco Ferreira, delegado nomeado, disse que ‘‘a responsabilidade é toda do policial militar’’. ‘‘Saio diariamente às 17 horas e deixo tudo sob responsabilidade dele’’, defendeu-se. Ferreira lembrou que Tavico deixou a delegacia ainda embriagado, dizendo que havia levado ‘‘umas porradas na cabeça’’. ‘‘Mas no estado em que estava, nem levei em consideração’’, disse.
O delegado classificou Tavico e a família como ‘‘problemáticos’’. ‘‘Eles discutem muito e, de vez em quando, a coisa vira caso de polícia’’.