Família acusa PM de espancamento
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quinta-feira, 19 de setembro de 2002
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Arapongas - A família do funcionário público Édson Dias, 31 anos, afirma que ele teria sido espancado por policiais militares juntamente com outros dois presos. A denúncia foi encaminhada ao Ministério Público de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) através de ofício pelo delegado-chefe da Polícia Civil da cidade, Valdir Abraão da Silva, acatando reclamações da esposa de Dias, Danuza Lino de Souza, e da irmã do funcionário, Iracema Dias Gomes.
O incidente aconteceu no último dia 13. Iracema relata que, por volta das 15 horas, Dias teria saído de moto da casa do pai, no Jardim Nova Baronesa, quando começou a ser perseguido por três viaturas da Polícia Militar. Nas imediações do colégio Ivanildo de Noronha, um dos carros derrubou a moto. Dias foi detido e encaminhado ao 15º Batalhão da PM, onde teria sido submetido a uma sessão de tortura que durou três horas, com socos, pontapés e afogamentos numa privada. ''Meu irmão disse que seis policiais participaram da ação e outros dois presos apanharam com ele'', conta Iracema. Entretanto, apenas três PMs foram identificados por Dias.
Danuza explica que não entende porque o marido foi detido. ''Não há nada contra ele. Disseram que ele ainda está detido por porte ilegal de arma, mas o Édson diz que não estava com revólver nenhum. Isso pode ter sido plantado'', diz ela.
''Os policiais perguntavam coisas sobre denúncia de suborno e tráfico de drogas, coisas que nada têm a ver com meu irmão. Ele está num estado lamentável: hematomas por todo o corpo, a boca toda arrebentada e uma costela quebrada'', afirma Iracema. A irmã também denuncia que, após o espancamento, Dias teria sido encaminhado ao promotor Dênis Pestana, que não teria tomado nenhuma providência.
Ontem à tarde, o laudo do exame de corpo de delito feito no Instituto Médico Legal (IML) foi recebido pela Polícia Civil. Segundo o advogado de Dias, Alfeu Caetano Moraes, o documento conclui que as lesões foram provocados por socos e pontapés. ''Quanto à acusação de porte ilegal de arma, meu cliente nega veementemente'', explica.
O delegado Abraão contraria o relato da família e afirma que o funcionário público tinha passagem pela Polícia. ''Há um pedido de prisão por um processo de roubo seguido de morte, em São Paulo'', afirmou. Alfeu Moraes afirma que o caso ainda não foi julgado e que, naquela situação, Dias ''agiu em legítima defesa''.


