Família acusa médico de negligência
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terça-feira, 21 de abril de 1998
Alexandre Sanches 
Josoé de CarvalhoJorge Lourenço: Tentamos transferi-lo mas o médico não autorizouA família de Jorge Luiz de Jesus Lourenço, 1 ano, que morreu anteontem vítima de complicações provocadas por queimaduras pelo corpo, vai registrar hoje uma queixa delegacia de Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Ela quer saber a causa exata da morte da criança e acusa o Hospital e Maternidade São Jorge, de Bela Vista, de não ter dado o atendimento necessário para que ela sobrevivesse. O diretor-clínico do hospital, o pediatra Waldner Lima de Oliveira, nega as acusações mas reconhece que a família tem o direito de procurar a Justiça.
Na tarde do dia 13, Jorge Lourenço se queimou ao virar sobre si um bule de café que estava num móvel da cozinha de sua casa. Com queimaduras de segundo e terceiro graus em parte do rosto, braços, tórax e costas, foi levado pela avó até o hospital. Tentamos transferir ele para Londrina, mas o médico que o atendeu (Waldner Oliveira) disse que não era necessário. Durante uma semana a criança chorou de dor e não teve o cuidado necessário, denunciou o pai, o pedreiro Jorge Lourenço, 24 anos.
A mãe, Edilma Eugênia Pinto, 21 anos, permaneceu com o menino no hospital. Quando a gente cobrava providências, o médico dizia que ele sabia o que estava fazendo, reclamou Maria Lúcia Rodrigues Silva, 36 anos, tia da criança. Ela e outras sete pessoas chegaram a entrar juntas na sala onde Jorge estava em observação. Não era para ele ficar isolado?, questionou. Entre as denúncias, a família afirmou que os atendentes do hospital retiraram o soro no sábado.
O diretor-clínico do hospital, que prestou os primeiros atendimentos a Jorge, afirmou que todos os procedimentos foram tomados para evitar que o quadro da criança se complicasse. Não havia necessidade de tranferi-la para o Hospital Universitário (HU) de Londrina. Tanto é assim, que a criança apresentou melhora até domingo. Ela começou a apresentar problemas por volta das 6 horas de segunda-feira, informou Waldner Lima de Oliveira.
Ele garantiu ter entrado em contato com o HU e transferido o menino. Para a transferência, disse que até balão de oxigênio foi colocado à disposição. Jorge morreu 40 ou 50 minutos depois que chegou ao HU. Somente a necrópsia poderá dizer qual o tipo de infecção que a criança teve, afirmou. No Hospital Universitário a única informação é que a direção-clínica e a assessoria de imprensa se pronunciariam hoje.


