Umuarama A família da frentista Gislaine Pereira, 19 anos, registrou queixa na Polícia Civil contra a Maternidade Municipal de Umuarama. Os familiares acusam a maternidade de negligência no parto de Gislaine. O recém-nascido, um menino, morreu por causa de complicações na hora do parto. A família questiona o uso de fórceps na hora do parto e o fato de os médicos não terem optado por uma cesariana.
O delegado José Carlos Guglielmetti já ouviu os parentes e vizinhos de Gislaine e solicitou exames cadavéricos ao Instituto Médico Legal (IML) para apurar a causa da morte do recém-nascido. ''Nos próximos dias, vamos ouvir a direção da maternidade e os médicos que atenderam a parturiente'', adiantou.
Segundo a família, Josiane foi levada com dores à maternidade segunda-feira de manhã. A ginecologista Josiane Abou Rahal examinou a paciente, receitou remédio para a dor e mandou-a de volta para casa, alegando que ainda não estava em trabalho de parto. A frentista voltou à maternidade por volta das 23 horas e foi internada pelo médico plantonista Marcelo Farias.
O bebê nasceu por volta das 5 horas da madrugada de terça-feira. Os médicos admitem ter usado o fórceps no parto, mas negam que esta tenha sido a causa da morte do bebê. Segundo a pediatra Lúcia Nogueira, a criança morreu porque aspirou líquido durante o parto.
A secretária municipal de Sa© úde, Lisbeth Scanavaca, disse ontem que analisou os prontuários apresentados pelos médicos e não encontrou nenhuma irregularidade. Segundo Lisbeth, todos os exames e procedimentos necessários foram realizados. E todos indicavam que a mãe e a criança estavam bem e não havia nada que apontasse a necessidade de uma cesariana. ''A aspiração de líquido durante o parto é uma fatalidade que pode ocorrer em qualquer nascimento'', argumentou. Mesmo assim, ela adiantou que o caso será investigado e que a maternidade prestará todos os esclarecimentos necessários à polícia.
A maternidade municipal foi instalada no prédio do Hospital Umuarama para incentivar o parto normal. Até 1999, Umuarama tinha um dos índices mais altos de cesarianas do Paraná, em torno de 80%. Este índice caiu cerca de 30%. O hospital realiza em média 100 partos por mês, dos quais 55% são normais.

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