Kraw PenasReinaldo de Lima, coordenador do movimento: ‘‘É um caso entre tantos’’.Uma série de manifestações que começou sábado e continua hoje deu início a um movimento que pretende lutar por melhorias no atendimento à saúde da população. O movimento é liderado por amigos e parentes do mecânico Clóvis Pereira de Almeida, de 16 anos, que morreu no Hospital Evangélico no dia 26 de janeiro. A família pretende processar o hospital e a Clinihauer por negligência.
Clóvis foi levado para a Clinihauer com crise respiratória, manchas pelo corpo e febre alta. O médico que o atendeu teria diagnosticado intoxicação alimentar, ‘‘sem nenhum exame, com base na aparência’’. Segundo a família, Clóvis deveria ter sido internado, mas foi dispensado porque seu convênio era recente e não constava do cadastro da clínica.
O rapaz foi levado então para o Evangélico. Segundo a denúncia, Clóvis chegou ao hospital gritando de dor, mas mesmo assim ficou quase três horas aguardando atendimento, até que os médicos decidiram operá-lo para retirar um abcesso do pulmão. A família diz que não foi informada sobre o caso e que Clóvis ficou praticamente abandonado no quarto, até morrer, no dia 27. ‘‘Foi mais um entre tantos casos de mau atendimento’’, diz Reinaldo de Lima, colega do mecânico num grupo de teatro que está organizando os protestos.
A Secretaria Municipal de Saúde e o Conselho Regional de Medicina estão apurando o caso. O diretor clínico do Evangélico, José Antônio Mainguê, disse que o tempo que Clóvis esperou para ser atendido não foi determinante da morte: ‘‘Um abcesso como o que ele tinha leva semanas para se formar’’.
No CRM, o caso vai se juntar a outras 344 denúncias contra médicos. O presidente do CRM, Luiz Salim Emed, não informou quantos médicos já foram punidos, mas garante que o julgamento é isento. ‘‘A questão é que a maioria das denúncias decorre da quebra da relação médico-paciente e não do aspecto técnico do atendimento’’, diz.

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